sexta-feira, 1 de maio de 2009

o trabalho que dá

no dia do trabalho
reconheço que o mais difícil,
o mais trabalhoso,
é manter alguma coerência.

para nós, burguesia com internet
tv a cabo,
comida e cultura,
ralar é duro, mas não é o pior.

digo isso com a certeza de ser um santo
ou um canalha

que ao olhar para as próprias mãos
vê a carícia ou o tapa,

que nos olhos esconde
o afeto ou o desprezo,

um eu
generoso ou mesquinho,
ou puro ou vil ou oito ou oitenta
que costuma ser ou amoroso ou sórdido ou indiferente...

um eu
inquilino da hipocrisia ou locatário das virtudes
de um castelo de cartas ou de areia.

I.R.