quinta-feira, 19 de outubro de 2017

iluminação

minimalista,
econômico...
mentira.
me expresso pouco,
falando demais.
porque falar o que penso
não é dizer o que sinto...
e sair do labirinto
é acender o farol.

I.R.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

gravidez

não há teto que me cubra
nem segredo que eu descubra,
mas há ninhos nos galhos
e a vontade de niño de subir.
ando silencioso,
cauteloso,
gerando imagens,
guardando palavras...
mas não há pressa
nem pressão.
enquanto dure o enquanto,
caminho, me encho de encanto,
lavro, lapido, gesto,
sem nenhuma indigestão

I.R.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

apenas a saudade

entre o começo e o fim,
tua presença...
antes do início,
uma desconhecida ausência...
após o fim,
apenas a saudade.
nada será como antes,
mas entre a saudade e a saudade,
plena de amor,
há espaço para a lembrança,
há o desejo ou a esperança
de que de alguma forma
a gente volte a se encontrar

I.R.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

ciclovia

Foto: Igor Ravasco

o caminho é sempre de pedra,
pois não há sonho no asfalto.
e numa vida sem roteiro,
talvez o primeiro
seja arriscar,
porque a vara que mede
não é a mesma que pesca,
road trip de bike,
pescaria de ideias, de emoções...
as sensações batendo no rosto
como se fossem o vento,
o vento embalando o sonho...
sonho meu, sonho nosso,
o que eu quero e o que eu posso
é não parar de pedalar

I.R.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

quinze minutos de claustrofobia

na arte da viagem,
de onde sai um, entram três,
os corpos unidos, colados,
compartilhando o hálito
e as câimbras,
os cheiros, os suores,
aquele silêncio incômodo...
e um estar só,
sem estar sozinho...
poucos quilômetros
que são uma maratona,
corrida matutina
sem espaço,
sem ar,
sem dignidade...
na arte da viagem,
não há arte,
há capitalismo selvagem
e claustrofobia.

I.R.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

poemas de amor

não posso escrever poemas de amor,
nem cartas de amor
ou canções apaixonadas...
não se trata de ter medo
ou descrer dos contos de fadas...
não posso.
prefiro a conversa ao pé do ouvido,
seu perfume, seu abraço amigo...
eu com você e você comigo.
talvez eu possa,
mas não quero escrever poemas de amor.
prefiro seu calor
e tudo de bom que você me traz

I.R.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

tô à toa

tô à toa,
em posição de loto
deitado no mato...
tô curtindo o recato,
vivendo o recanto...
tô à toa,
da mudez do cracatoa
à nudez disposta em ato.
tô à toa...
na ponta da flecha,
na ponta da língua,
afiei meu curare

I.R.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

ojo de poeta

Foto: Ruben Gelati

ojos poéticos se multiplican
por sobre las rejas,
y sobrepasan las duras puntas
que hieren,
lanzas puntiagudas que lastiman...
ojos poéticos se abren en colores,
y tal vez suavicen la realidad...
o los dolores...
tal vez simulen
o emulen una verdad...
ojos poéticos se multiplican
como agujeros negros,
que están por ahí, que existen,
pero no logramos saber
exactamente para qué

I.R.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

na fala

na fala que flui como um rio,
eu rio quando você sorri.
e se não estamos sós,
e se estamos com...
compartilha, soma,
não verdade e resignificação.
na fala que flui como um rio,
há selfies e fotos sem flash

I.R.

sábado, 8 de julho de 2017

do acaso

Foto: Igor Ravasco

roda o moinho que abraça o vento,
meu cata-vento que canta
por um caminho de mãos dadas
em ruas empedradas.
tudo é por acaso,
menos o significado que lhe dou

I.R.