sábado, 10 de dezembro de 2016

contate

Foto: Tatiana Aste

no vai e vem dos sentidos,
entra em jogo os sentimentos,
falam alto as sensações...
e ainda que eu saiba
ser fundamental escutar
ou importante ver,
por mais que no paladar
também sinta prazer,
o fato é
que não ponho o foco no olfato,
mas reúno meus cinco sentidos
no ato de tatear
I.R. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

biopoema

Foto e Mandala: Laura Taveira

se é verdade que a vida por si só
não tem sentido,
então ao que falta por viver
e ao já vivido
cabe a cada um dar direção...
talvez, motivo.
e os textos escritos,
independente da quantidade de cadernos,
serão sofridos e também ternos,
e as capas não nos dirão tudo...
não sou um livro aberto nem terminado
e a mandala, com suas curvas e linhas retas,
mostram que não existe a palavra certa
para me definir...
para nos etiquetar.
folhas, flores, raios de sol,
um polvo imaginário
sou eu desenhando meu itinerário
reunindo em coletânea
todas essas folhas dispersas

I.R.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

salva-vidas

Foto: Angela Melim

minha alma não precisa de salvação...
mas meus pensamentos
necessitam ser libertos
da escravidão da ignorância,
da prisão das imagens projetadas...
quero ter minha mente como um mar
e os grãos de areia colados na pele
quando volto pra casa.
não conheço a salvação da vida,
talvez o salva-vidas seja uma metáfora
do que é preciso erguer ou destruir,
do que é necessário ressignificar
quero sentir na palma das mãos
toda essa espuma,
sem pressa alguma...
esperando, quem sabe,
que a chuva caia...
não com uma falsa ideia de pureza,
mas para que, encharcado de natureza,
eu me pesque ou eu me perca

I.R.

domingo, 4 de dezembro de 2016

do amor e de outras ideias

Foto: Igor Ravasco

tenho ideias doces,
nem sempre originais,
umas suaves como coices,
outras legalmente marginais.
ideias que iluminam
e que ajudam a reler
que a vida é arte do encontro
ou que é impossível
ser feliz sozinho...
tenho ideias, sinto ideias
que alumbram meu caminho...
preciso dar amor...
de amigo, de irmão,
de filho, de pai,
amor de amante numa relação,
preciso dar amor de ser humano...
amor sem engano,
sem medida...
sem pieguice
desses que curam qualquer ferida,
que não nos deixa cair na mesmice
tenho ideias doces,
que não são ideias minhas...
mas não preciso de originalidade,
quando, na verdade,
só quero aprender a amar mais

I.R.

sábado, 3 de dezembro de 2016

declaração

declaro para os devidos fins,
que pretendo até o fim
tocar a vida com bom humor...
apesar de algum momento ranzinza...
com a certeza de que o cinza
também é uma das cores do arco-íris
declaro neste preciso momento,
precioso e pleno de sentimento
que todo dia é dia de viver,
plenamente e em abundância,
com a constância de abrir os olhos
e pensar por conta própria.
todos temos digitais, que não são iguais,
não se repetem em nenhum humano...
declaro que já sei qual é meu plano:
meu plano é viver,
sem deixar a peteca cair.

I.R.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

como em oz

um céu de ouro
estampa o dia
num fim de tarde
na terra da prata...
e eu, nem feito de bronze,
mas armado de lata,
redescubro o coração
numa estrada de tijolos amarelos

I.R.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

no tom

Foto: Jose Pedroso

afirmo,
como forma de afirmação...
afino,
como estrela em ascensão...
rasgo o solo
e planto no meu colo,
cordas e riffs,
modas e moldes,
formas
e fome de glória...
mas não sou um astro de rock
nem um personagem da história
e estou mais para clown
do que para menestrel...
não conhecerei o céu...
sou o bobo de uma corte sem rei,
sou o xerife e o fora da lei
atravessando o deserto
sem sair do tom

I.R.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

o caso do acaso

Foto: Jane Cassol

o acaso
é um desconhecido íntimo
que causa medos, alegrias,
que nos assusta,
pois nunca nos preparamos
para sua chegada...
ele vem sem hora marcada,
chega chegando,
sem nunca avisar...
o acaso é quem dispõe,
enquanto o driblamos
e tentamos dominá-lo...
tentei, mas não coinsegui crer
nas causalidades...
fiquei com as casualidades
e as escolhas que podemos fazer
enquanto a bolha de sabão
não estourar

I.R.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

na hora da dor

num momento de dor,
não há palavra que amenize
e talvez nem deus que conforte.
é estranha a vida,
quando violentamente chega a morte...
num acidente aéreo...
numa guerra...
num desastre natural,
na inaturalidade de seres humanos
que todos os dias ainda morrem de fome

I.R.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

sopro

na quietude,
a fala do vento
batendo na janela
não rompe o silêncio
nem desestabiliza
minhas inquietações.
estou pleno de emoções
que não desinquietam,
repleto de plenitude
e incompleto
em minha totalidade...
a felicidade só é possível
quando sei que a quero

I.R.