Buenos Aires, 10 de junio de 2009
Estimado Conde,
no tengo ron o cigarrillo para compartir con vos. No tomo ron y no fumo, aunque si fumara, no lo haríamos juntos. Dice el Viejo que no sabés fumar. Pero no es para hablar de tus vicios que te mando esta nota. Es para agradecerte. Gracias, Conde! Gracias por permitirme entrar en tus historias.
En tu homenaje:
Un abrazo,
I.R.
PD: Saludos a Jose y al Flaco.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Dó, Ré, Mi

Maestro, por favor, eu quero um tom.
A música, onde está, senhor regente?
Responda-me num solo, simplesmente,
Se algum dia existiu em mim o dom.
O dom de fazer música, algo bom.
A arte de ser mal, ser diferente,
Ou se o que mais tentava diariamente,
Era equívoco e nunca foi um som.
Preciso de um moteto, de uma ária
Ou de uma sinfonia libertária
Pro som deste soneto tão absurdo.
E mesmo que eu não seja Villa-Lobos,
Escuto mil respostas, como os bobos,
Mas sou, como Beethoven, meio surdo.
I.R.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
a dor e o dólar
primeira classe
turista
executiva
no mar somos todos iguais.
enquanto isso na tv, alguns programas
ganham dinheiro com o sofrimento.
I.R.
turista
executiva
no mar somos todos iguais.
enquanto isso na tv, alguns programas
ganham dinheiro com o sofrimento.
I.R.
domingo, 7 de junho de 2009
hora de não gostar
não sou o dono da verdade,
porém tenho direito às minhas opiniões,
que raramente digo.
ajo como uma parede de hospital,
branca e amorfa.
evito certas palavras,
procuro não machucar
mas uso um cilício.
então, chega.
não gosto de poemas sem ritmo
e de certas rimas previsíveis,
não gosto de prepotência,
de pieguice,
detesto poemas mal escritos
mas quase considerados obras de arte
e não entendo a falta de entendimento de alguns.
hoje, com uma ideia
e um blog na mão
qualquer um se acha poeta,
se acredita escritor
e ganha gritinhos dos fãs.
acho que vou publicar
os "poemas" que escrevi no primário.
minha parede branca ganhando uma mancha
e um cacófato.
I.R.
porém tenho direito às minhas opiniões,
que raramente digo.
ajo como uma parede de hospital,
branca e amorfa.
evito certas palavras,
procuro não machucar
mas uso um cilício.
então, chega.
não gosto de poemas sem ritmo
e de certas rimas previsíveis,
não gosto de prepotência,
de pieguice,
detesto poemas mal escritos
mas quase considerados obras de arte
e não entendo a falta de entendimento de alguns.
hoje, com uma ideia
e um blog na mão
qualquer um se acha poeta,
se acredita escritor
e ganha gritinhos dos fãs.
acho que vou publicar
os "poemas" que escrevi no primário.
minha parede branca ganhando uma mancha
e um cacófato.
I.R.
sábado, 6 de junho de 2009
o que antes
o que antes havia aqui
ficou na história,
mas é dessas histórias
que não precisam ser relembradas
com fotos,
com poemas.
o que antes havia aqui
fez por merecer ser só passado.
I.R.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
A corda tá russa
abro as bonecas,
matryoshka por matryoshka,
e no final há uma balalaica.
não sei o que fazer
com essa coisa triangular.
há de diferentes tamanhos...
um triângulo de três cordas
que se toca,
um cavaquinho estranho
que não sei se faz samba.
minha cabeça tá confusa.
definitivamente, a corda tá russa.
PS: Quando eu era pequeno, fuçando os livros do meu pai, de vez em quando eu abria um de literatura russa. Nunca li o livro inteiro. Na verdade, acho que nunca li mais de um poema...
I.R.
matryoshka por matryoshka,
e no final há uma balalaica.
não sei o que fazer
com essa coisa triangular.
há de diferentes tamanhos...
um triângulo de três cordas
que se toca,
um cavaquinho estranho
que não sei se faz samba.
minha cabeça tá confusa.
definitivamente, a corda tá russa.
PS: Quando eu era pequeno, fuçando os livros do meu pai, de vez em quando eu abria um de literatura russa. Nunca li o livro inteiro. Na verdade, acho que nunca li mais de um poema...
BALALAICA
Maiakóvski (tradução: Augusto de Campos)
Balalaica
[como um balido abala
a balada do baile
de gala]
[com um balido abala]
abala [com balido]
[a gala do baile]
louca a bala
laica
BALALAICA
Balalaica
[budto laiem oborvala
scrípki bala
laica]
[s laiem oborvala]
oborvala [s laiem]
[láiki bala]
láicu bala
laica
I.R.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
verbalizado
viver é bom e perigoso
mas conviver é explosivo
e reviver, uma necessidade.
se fazer não é fácil,
refazer, uma urgência
e desfazer, uma possibilidade que não quero,
a solução é pôr,
não para compor,
mas recompor,
e não se opor, não supor,
e assim transpor,
pois não importa contradizer,
mas dizer as coisas como se sentem.
sentir e não se ressentir por se mostrar por inteiro.
I.R.
mas conviver é explosivo
e reviver, uma necessidade.
se fazer não é fácil,
refazer, uma urgência
e desfazer, uma possibilidade que não quero,
a solução é pôr,
não para compor,
mas recompor,
e não se opor, não supor,
e assim transpor,
pois não importa contradizer,
mas dizer as coisas como se sentem.
sentir e não se ressentir por se mostrar por inteiro.
I.R.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
futuro do presente e do pretérito
o futuro não conhecemos
e não sei se ele existe.
como saber se é como num filme
onde as cenas já estão gravadas
ou se é como tv ao vivo com roteiro
ou simplesmente improvisação?
temos o hoje para viver,
temos uma sucessão de instantes para viver
vida curta
cheia de caprichos e incertezas
viver é bom e perigoso
e o resto é passado.
mas do pretérito não podemos viver.
não é possível curtir umas férias
por meio das fotos
"estive em búzios e me lembrei de você"
"lembrança do rio de janeiro"
somos baús de quinquilharias,
somos museus
pois nossa única certeza é o passado
embora a esclerose nos confunda
antes de matá-lo completamente
I.R.
e não sei se ele existe.
como saber se é como num filme
onde as cenas já estão gravadas
ou se é como tv ao vivo com roteiro
ou simplesmente improvisação?
temos o hoje para viver,
temos uma sucessão de instantes para viver
vida curta
cheia de caprichos e incertezas
viver é bom e perigoso
e o resto é passado.
mas do pretérito não podemos viver.
não é possível curtir umas férias
por meio das fotos
"estive em búzios e me lembrei de você"
"lembrança do rio de janeiro"
somos baús de quinquilharias,
somos museus
pois nossa única certeza é o passado
embora a esclerose nos confunda
antes de matá-lo completamente
I.R.
terça-feira, 2 de junho de 2009
matryoshka

persona
um eu escondido
em meus personagens
o belo por dentro da fera
a fera guardada no príncipe
o príncipe escondido no mendigo
um no outro, figura de desenho animado
ocultando do inimigo meu desânimo
guardo no âmago o desassossego
da minha animamundi revelada
exibido no animal planet
escondido em minha
ânima
I.R.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Ali
Ali na calmaria da bonança
Senti meu corpo em plena tempestade
E quis teu corpo, nova Sherazade,
Ser teu gênio, e do ventre ser tua dança.
Ali na noite inteira, a fera mansa
Quis ser como um marujo que te invade,
Simbad pirata, Ali Babá de jade
Ou quarenta ladrões sem esperança.
Ali na agonia do meu peito,
Ansiando por fazer tudo direito,
Assim vivo meu conto, não de fadas,
Pois temo que me roubem meu tapete,
Meu verbo, meu valor e meu verbete,
Ali nas mil e uma madrugadas.
I.R.
Senti meu corpo em plena tempestade
E quis teu corpo, nova Sherazade,
Ser teu gênio, e do ventre ser tua dança.
Ali na noite inteira, a fera mansa
Quis ser como um marujo que te invade,
Simbad pirata, Ali Babá de jade
Ou quarenta ladrões sem esperança.
Ali na agonia do meu peito,
Ansiando por fazer tudo direito,
Assim vivo meu conto, não de fadas,
Pois temo que me roubem meu tapete,
Meu verbo, meu valor e meu verbete,
Ali nas mil e uma madrugadas.
I.R.
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