domingo, 28 de fevereiro de 2010

a galope

nem garanhão nem pangaré,
nem alazão, mustang, árabe
ou mangalarga marchador

nem pônei,
puro sangue ou pégaso,

sou sem sela,
sou sem crina,

sou do mar,

hipocampo,

filho de poseidon,
sofrendo a ausência
de sua própria cria.

I.R.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

pipa

depende do idioma
depende do lugar
depende de para quê.

pipa pra soltar...

pipa pra descansar...



pipa pra fumar...


pipa pra tocar...



I.R.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

meu sapo

na minha montanha
o sapo sobe num banco,
o sapo sapeca
brinca,
ri
chama a atenção.

um sapo
de sangue franco.

na minha montanha,
meu sapo à distância,
enquadrado,
e eu com os olhos úmidos,
enquanto ele sobe,
meu sapo alegre,
seu banco,
minha montanha,
queria ser bruxo
para tê-lo pular.


I.R.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sentimentos

Adoro o teu sorriso quando o vejo
E quando você lê as minhas frases
E somos como a lua em quatro fases
Brilhando num espaço de desejo

Eu adoro a lembrança do teu beijo
Que é o final das falácias e das bases
Das minhas estruturas eficazes
E te revivo em sonho e nos revejo

E te quero, eu menino e o peito aberto
Te quero aqui comigo, aqui bem perto
Te quero e te querer é minha sina

Que me enfeitiça como a mesma lua
Enquanto conversamos nessa rua
Sentindo nossa estrela nessa esquina

I.R.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

deus negro

espécie de entidade,
preto velho de ainda cabelo preto,
barba branca,
orixá do candombe,
ogã do jazz
suas mãos tem o poder,
seus dedos tem o toque,
o toque do agogô mágico
e o poder de amar o tambor.
'tocá, che, negro rada',
babalorixá do som.



I.R.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Rubi, esmeralda, safira?

Depende do site.

Mas isso não importa. Importa que meus pais estão fazendo 40 anos de casados. Deixo o link de uma carta que escrevi para eles. Basta atualizá-la em alguns detalhes.

O dia é 18. O aniversário é de 40, não de 38. O neto já conheceram, e o que espero é que possam conviver mais com ele.

http://cartaeverso.blogspot.com/2008/02/carta-para-papai-e-mame.html


I.R.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Presente de grego

Nem sempre queremos ou gostamos do presente que querem nos dar. Temos o direito de não gostarmos, não querermos e, inclusive, de não aceitarmos um presente. Nem todo presente é sinal de amizade, boa vizinhança ou qualquer outro sentimento positivo.

Vejam só o meu caso. Me colocam contra as cordas, no quadrilátero, na esquina, e o soco vem embrulhado em uma luva. Vejo o golpe vir. Não se trata só de senti-lo, mas de vê-lo realmente. Observar como ele vai ganhando força à medida que se aproxima.

Qualquer um poderia pensar que ele vem direcionado à cara, mas não. Seu trajeto é visivelmente para abaixo da linha da cintura. Não importa que os juízes lancem uma advertência, ameacem de desclassificação. O golpe vem e é meu presente. Abaixo da linha da cintura, mas não no pau, não no saco. Apenas abaixo da linha da cintura.

Mas me esquivo, e sinta apenas o vento, o ar que se movimenta. E rejeito o presente. Não o aceito. Prefiro que volte para quem queria me presentear. Esse é o destino dos presentes não aceitos. Não se trata de devolver alguma coisa. Trata-se de não aceitar certos cavalos.

I.R.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

16 e 17

16... 17...
de 16 para 17...
um toninho,
um juninho...

no nosso bar,
a conversa que flui,
a fumaça que sobe,
o sorvo, o gole de cerveja

as duas latas finais...

e o carro de apolo no bairro do apolo
abençoando,
iluminando...

um mês,
o sabor do sol, do sal e da saudade.
um mês,
e o gosto de saber que falta menos.


I.R.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

fantasia

sou índio sem taba,
nativo sem oca,
folha de coca para mascar.
adoro batida,
e se for de coco
não quero sua água, pois pode hidratar.
sou carnavalizado,
carne-seca assada
ao sol do trabalho,
voltando pra casa
de carona num carro alegórico.
e se curto o trio,
e se vou atrás do trio elétrico
porque não morri,
não me imitem,
pois não sou tijolo oco
pra preencher espaços vazios
nem sou cabeça oca
pra completar a cuca de ninguém.
sou só um índio sem coca,
nativo sem coco
querendo sambar.

I.R.