O meu Palau quer invadir
a sua República Tcheca.
Você me prometeu o Cuzco,
mas meu Peru e meu Kosovo
se contentam com a sua Chechênia.
Viva a natureza!
Todo mundo ONU!
I.R.
domingo, 10 de maio de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
Segundo bilhete para um músico brega
Buenos Aires, 09 de maio de 2009
Prezado,
já sabemos que não sou o detentor da verdade sobre o bom gosto, o mau gosto, o gosto de morango com creme ou o gosto de cabo de guarda-chuva. Sou um mero ouvinte.
E em meus ouvidos ressoam os versos de Pessoa.
Sou mero ouvinte. Nem bom nem mau.
E em meus ouvidos tocam os versos de Magal.
Um abraço,
I.R.
Prezado,
já sabemos que não sou o detentor da verdade sobre o bom gosto, o mau gosto, o gosto de morango com creme ou o gosto de cabo de guarda-chuva. Sou um mero ouvinte.
E em meus ouvidos ressoam os versos de Pessoa.
Sou mero ouvinte. Nem bom nem mau.
E em meus ouvidos tocam os versos de Magal.
Um abraço,
I.R.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
eu decoro, tu decoras ou art déco
não sei nada de cor
nem de cor...
minha memória e minha retina
não decoram o branco ou o gelo
o preto ou o grafite.
não sei decorar...
minha memória e meu bom gosto
colocam coisas kitsch
coisas bregas
em qualquer lugar.
a ação de decorar
descolora a minha mente em branco
e sou apenas um decalque
um acessório
que não decora a própria cor.
sou decoração colocada
por um decorador ou por mim mesmo
sobre a geladeira.
I.R.
nem de cor...
minha memória e minha retina
não decoram o branco ou o gelo
o preto ou o grafite.
não sei decorar...
minha memória e meu bom gosto
colocam coisas kitsch
coisas bregas
em qualquer lugar.
a ação de decorar
descolora a minha mente em branco
e sou apenas um decalque
um acessório
que não decora a própria cor.
sou decoração colocada
por um decorador ou por mim mesmo
sobre a geladeira.
I.R.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
concrescível
o concreto está armado
até os dentes
e cerca,
delimita,
ataca por todos os lados
pronto para concretizar.
quem pode, observa.
quem não reflete, aplaude.
quem, com crédito, questiona
já conhece o seu final.
o labirinto de creta
está armado
até os dentes,
o carretel é curto
não há cera suficiente nos ouvidos.
minotauro se aproxima
e é difícil acreditar.
I.R.
até os dentes
e cerca,
delimita,
ataca por todos os lados
pronto para concretizar.
quem pode, observa.
quem não reflete, aplaude.
quem, com crédito, questiona
já conhece o seu final.
o labirinto de creta
está armado
até os dentes,
o carretel é curto
não há cera suficiente nos ouvidos.
minotauro se aproxima
e é difícil acreditar.
I.R.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
sonho e realidade
o sonho é a realidade psicanalítica
de quem não acordou.
e a realidade é o sonho inclassificável
de quem não sabe se está acordado.
complicado?
não para mim que nada explico
e que não postulo verdade alguma.
creio que a realidade é sonho
e o sonho é realidade,
e o real e o legal disso tudo
é que posso vivê-los acordado ou dormindo,
ou sonolento,
ou num estado que ainda não surgiu.
realidade-verdade,
como o nome besta
de um programa televisivo qualquer.
sonho-imaginação,
e loucura, por que não!?
realidade-sonho, assim prefiro.
verdade-imaginação, tudo ilusão.
mentira? não.
devaneio, combustão,
crenças de um brasileiro,
(de nome russo)
que (como MaiaKowsky)
é todo, todo, cor-ação.
I.R.
de quem não acordou.
e a realidade é o sonho inclassificável
de quem não sabe se está acordado.
complicado?
não para mim que nada explico
e que não postulo verdade alguma.
creio que a realidade é sonho
e o sonho é realidade,
e o real e o legal disso tudo
é que posso vivê-los acordado ou dormindo,
ou sonolento,
ou num estado que ainda não surgiu.
realidade-verdade,
como o nome besta
de um programa televisivo qualquer.
sonho-imaginação,
e loucura, por que não!?
realidade-sonho, assim prefiro.
verdade-imaginação, tudo ilusão.
mentira? não.
devaneio, combustão,
crenças de um brasileiro,
(de nome russo)
que (como MaiaKowsky)
é todo, todo, cor-ação.
I.R.
terça-feira, 5 de maio de 2009
floralia
a borboleta ameaça pousar na flor
mas desiste.
ela, a flor, é de plástico
e não tem néctar.
eu varro o lixo para baixo do tapete
e troco a água das flores artificiais.
as flores mortas que um dia tiveram vida
formam uma coroa
e as do jardim esperam uma borboleta
que depois de morta
será varrida para baixo do meu tapete,
que não voa como uma borboleta
mas tem flores bordadas
e as bordas puídas.
I.R.
mas desiste.
ela, a flor, é de plástico
e não tem néctar.
eu varro o lixo para baixo do tapete
e troco a água das flores artificiais.
as flores mortas que um dia tiveram vida
formam uma coroa
e as do jardim esperam uma borboleta
que depois de morta
será varrida para baixo do meu tapete,
que não voa como uma borboleta
mas tem flores bordadas
e as bordas puídas.
I.R.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Dando sequência ao meme - 6 contra 1
Se você quiser uma explicação longa e detalhada sobre os memes... Agora, podemos resumir a "o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se."
A bola chegou rolando de Curitiba, rolada redondinha, na medida, pelo radiogordo. O mote? 6 discos (vale cd ou fita k7), 6 álbuns que eu "levaria para uma ilha deserta", por serem essenciais para mim. E um que eu jogaria no fogo eterno por achar uma decepção.
Vamos aos seis primeiros... em ordem alfabética:
Buena Vista Social Club - Vários Autores

Este álbum me abriu os ouvidos para a música cubana. Sem falar no documentário, que mais de uma vez me levou às lagrimas. Música quente, de qualidade indiscutível, marcante, alegre, que mesmo em mim que não sei me dá vontade de dançar.
Clara Nunes - Clara (O canto das três raças)

Este álbum marcou a minha infância no toca-discos de casa. Nele, comecei a degustar o samba. E o destaco ao invés de destacar outros, porque acho o canto das três raças uma dos sambas mais bonitos e mais tristes da música brasileira.
Fágner - Traduzir-se/Traducir-se

Este álbum, também conhecido no toca-discos, foi um dos que me apresentou a língua espanhola. Não foi o primeiro, mas o que mais me marcou. Foi o álbum que aprofundou Mercedes Sosa, me apresentou Serrat e Camarón de la Isla. Sempre degustei cada uma de suas músicas. A começar pelo poema de Florbela Espanca.
Goran Bregovic - Underground

O filme é ótimo, mas a trilha sonora me deixou em estado de graça. Tudo o que ouvi de música balcânica teve Underground como ponto de partida. Fanfara Ciocarlia, Kocani Orkestar, Mahala Rai Band, Esma Redzepova, Saban Bajramovic e muitíssimos outros.
Lenine e Marcos Suzano - Olho de Peixe

Para resumir, fico com uma frase que um amigo me disse uma vez sobre esse álbum. "Um dia, a música brasileira será dividida entre antes e depois Olho de Peixe".
Tarancón - Gracias a la Vida

Não gosto de todas as músicas desse álbum, mas das que gosto, gosto muito. Foi o disco que me ensinou que havia música em espanhol, fora do Brasil, que colocou a Argentina, a Bolívia e o Peru no meu mapa musical, quando eu tinha uns 7 ou 8 anos.
E por último, a minha decepção.
Chico César - De uns tempos para cá

Adoro Chico César. Gosto muito do trabalho que faz, adoro o seu som, e a última vez que chorei ouvindo o Hino Nacional Brasileiro foi há muitos anos com Chico César cantando a capela num amistoso da seleção brasileira no Japão.
Mas quando ouvi o seu penúltimo trabalho, De uns tempos para cá, não consegui gostar. Ouvi, reouvi, tentei de novo e nada. Não teve jeito. Do mesmo jeito que apareceu com um simples toque, foi embora com outro. Não gostei de música nenhuma.
E para que o meme continue seu caminho, gostaria de passar a bola para:
M.E.K. - El Zoocalo
F.P. - Eurindia
Patricio - Dos profes en Iowa
Um abraço a todos,
I.R.
A bola chegou rolando de Curitiba, rolada redondinha, na medida, pelo radiogordo. O mote? 6 discos (vale cd ou fita k7), 6 álbuns que eu "levaria para uma ilha deserta", por serem essenciais para mim. E um que eu jogaria no fogo eterno por achar uma decepção.
Vamos aos seis primeiros... em ordem alfabética:
Buena Vista Social Club - Vários Autores

Este álbum me abriu os ouvidos para a música cubana. Sem falar no documentário, que mais de uma vez me levou às lagrimas. Música quente, de qualidade indiscutível, marcante, alegre, que mesmo em mim que não sei me dá vontade de dançar.
Clara Nunes - Clara (O canto das três raças)

Este álbum marcou a minha infância no toca-discos de casa. Nele, comecei a degustar o samba. E o destaco ao invés de destacar outros, porque acho o canto das três raças uma dos sambas mais bonitos e mais tristes da música brasileira.
Fágner - Traduzir-se/Traducir-se

Este álbum, também conhecido no toca-discos, foi um dos que me apresentou a língua espanhola. Não foi o primeiro, mas o que mais me marcou. Foi o álbum que aprofundou Mercedes Sosa, me apresentou Serrat e Camarón de la Isla. Sempre degustei cada uma de suas músicas. A começar pelo poema de Florbela Espanca.
Goran Bregovic - Underground

O filme é ótimo, mas a trilha sonora me deixou em estado de graça. Tudo o que ouvi de música balcânica teve Underground como ponto de partida. Fanfara Ciocarlia, Kocani Orkestar, Mahala Rai Band, Esma Redzepova, Saban Bajramovic e muitíssimos outros.
Lenine e Marcos Suzano - Olho de Peixe

Para resumir, fico com uma frase que um amigo me disse uma vez sobre esse álbum. "Um dia, a música brasileira será dividida entre antes e depois Olho de Peixe".
Tarancón - Gracias a la Vida

Não gosto de todas as músicas desse álbum, mas das que gosto, gosto muito. Foi o disco que me ensinou que havia música em espanhol, fora do Brasil, que colocou a Argentina, a Bolívia e o Peru no meu mapa musical, quando eu tinha uns 7 ou 8 anos.
E por último, a minha decepção.
Chico César - De uns tempos para cá

Adoro Chico César. Gosto muito do trabalho que faz, adoro o seu som, e a última vez que chorei ouvindo o Hino Nacional Brasileiro foi há muitos anos com Chico César cantando a capela num amistoso da seleção brasileira no Japão.
Mas quando ouvi o seu penúltimo trabalho, De uns tempos para cá, não consegui gostar. Ouvi, reouvi, tentei de novo e nada. Não teve jeito. Do mesmo jeito que apareceu com um simples toque, foi embora com outro. Não gostei de música nenhuma.
E para que o meme continue seu caminho, gostaria de passar a bola para:
M.E.K. - El Zoocalo
F.P. - Eurindia
Patricio - Dos profes en Iowa
Um abraço a todos,
I.R.
domingo, 3 de maio de 2009
O que Suplantou
1 ano.
e de tudo que poderia desejar
prefiro que sejam duas coisas...
que me suplante em coragem,
em culhão mesmo...
e que seja muito,
mas muito mesmo
e de verdade
feliz.
I.R.
e de tudo que poderia desejar
prefiro que sejam duas coisas...
que me suplante em coragem,
em culhão mesmo...
e que seja muito,
mas muito mesmo
e de verdade
feliz.
I.R.
sábado, 2 de maio de 2009
zoo
tenho medo de barata
e a urina do rato pode transmitir leptospirose.
o barbeiro traz a doença de chagas,
os cães e morcegos, a raiva.
e os mosquitos? Ah, os mosquitos!...
febre amarela, dengue, vírus do oeste do Nilo...
e com os macacos conhecemos o ebola,
e a aids.
e tem vaca louca,
gripe aviária,
a solitária do porco
que também traz
a gripe suína.
começo a pensar que nesse zoológico de horrores,
o velho noé é o único culpado
I.R.
e a urina do rato pode transmitir leptospirose.
o barbeiro traz a doença de chagas,
os cães e morcegos, a raiva.
e os mosquitos? Ah, os mosquitos!...
febre amarela, dengue, vírus do oeste do Nilo...
e com os macacos conhecemos o ebola,
e a aids.
e tem vaca louca,
gripe aviária,
a solitária do porco
que também traz
a gripe suína.
começo a pensar que nesse zoológico de horrores,
o velho noé é o único culpado
I.R.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
o trabalho que dá
no dia do trabalho
reconheço que o mais difícil,
o mais trabalhoso,
é manter alguma coerência.
para nós, burguesia com internet
tv a cabo,
comida e cultura,
ralar é duro, mas não é o pior.
digo isso com a certeza de ser um santo
ou um canalha
que ao olhar para as próprias mãos
vê a carícia ou o tapa,
que nos olhos esconde
o afeto ou o desprezo,
um eu
generoso ou mesquinho,
ou puro ou vil ou oito ou oitenta
que costuma ser ou amoroso ou sórdido ou indiferente...
um eu
inquilino da hipocrisia ou locatário das virtudes
de um castelo de cartas ou de areia.
I.R.
reconheço que o mais difícil,
o mais trabalhoso,
é manter alguma coerência.
para nós, burguesia com internet
tv a cabo,
comida e cultura,
ralar é duro, mas não é o pior.
digo isso com a certeza de ser um santo
ou um canalha
que ao olhar para as próprias mãos
vê a carícia ou o tapa,
que nos olhos esconde
o afeto ou o desprezo,
um eu
generoso ou mesquinho,
ou puro ou vil ou oito ou oitenta
que costuma ser ou amoroso ou sórdido ou indiferente...
um eu
inquilino da hipocrisia ou locatário das virtudes
de um castelo de cartas ou de areia.
I.R.
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