sábado, 16 de janeiro de 2016

homem tapume

Foto: Paulo Mittelman

o homem tapume se esconde,
se desconstrói,
se reforma.
o homem tapume se cobre,
se tapa...
o homem tapume casulo
se renova
e ao estar escondido
ainda não sabemos como vai ficar.

I.R.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

labirinto

Foto: Renato Santicchia

no final do labirinto
de linhas, margens,
parágrafos,
eu grafo minhas histórias
ou meus versos...
não há minotauro nem ícaro,
não há dédalo,
mas um guardião lê e relê
a dedo,
o que talvez eu não escreva.
o que escrevo
e provavelmente já não viva.
o que vivo,
mas que não pretendo escrever.

I.R.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

combustão

Foto: Adriano Mello

para além das cercas,
o carro de lenha
se põe ao meu alcance.
não se trata de mágica,
mas de trabalho
e sentimento...
pois depois da chama acesa,
depois de abraçar a dúvida
e beijar a incerteza,
vem o desejo
de ver a fogueira
não só queimar,
mas continuar queimando

I.R.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

inércia

Foto: Iron Alves

rotação,
translação,
nunca estamos parados,
nem estamos no mesmo lugar...
movimento constante,
elipse, círculo,
de preferência acompanhado
e com um mínimo de segurança.
cabe a cada um
saber onde está o foco,
uma questão de eixo...
o que se tem
e o que se adquire,
o que se perde
e o que é preciso perder.

I.R.

sábado, 9 de janeiro de 2016

entre o céu e a terra

Foto: Eric Monvoisin

entre o céu e a terra
há filosofia e mistério,
mas não certezas,
além de nossas respostas pessoais,
que não passam de filosofia
ou de fé.
o mistério não se explica,
não se desvela,
não se revela, mas se vive,
talvez como um negativo.
não há nada de errado na dúvida
nem na incerteza,
a natureza não é menos bonita,
se deus não existir.

I.R.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

autorretrato sobre natureza morta

Foto: Jacqueline Hoofendy

a moldura rachada
não pode enquadrar
aquilo que não tem limite,
e não há reflexo possível
ou capaz de refletir
aquilo que não tem forma...
eu te ofereço flores
ou me ofereço em cores...
natureza imóvel
permeando
meus pensamentos intranquilos.

I.R.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

deserto

Foto: Cadu de Castro

cada um atravessa
seu próprio deserto,
seja em quarenta dias
ou em quarenta anos,
seja procurando oásis
ou enfrentando miragens...
cada um cruza
seu próprio deserto
onde não existe longe
e muito menos perto,
apenas um mar de areia,
um oceano de grãos de areia,
ampulheta quebrada,
despreocupada com o tempo.

I.R.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

sinuoso

Foto: José Roberto Bassul

não posso estar lá e aqui,
atacar em duas frentes,
mas quem determina
o que é lá
ou o que é aqui
no sangue que corre
pelas minhas veias?
me dicen que no se puede
estar allá y acá,
no se puede jugar a dos puntas,
pero ¿quién tiene la última palabra?
talvez eu seja um poeta sem poesia,
talvez eu seja pura poesia
que não se traduz em poema...
¡qué lástima que lastimo!,
me encantaría no hacerlo,
mas talvez eu espere muito de mim.

I.R.

sábado, 2 de janeiro de 2016

41


quarenta e um verões
não me fazem mais sábio
que oito outonos
ou menos sábio
que oitenta primaveras.
nem sempre sou sábio,
não sei se sou sábio
ou se alguma vez fui...
mas procuro estar desperto...
(nem que seja para gritar bingo)
sei que o que diz meu documento
nem sempre corresponde
à minha idade mental...

I.R.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

mosaico

Fotos: Simão Salomão

por estradas sinuosas,
por linhas retas
por mar, por terra...
pelo ar,
vago.
com pressa ou devagar,
ansioso,
contra a corrente
ou no marchar da multidão,
vou.
esperança que não morre,
todo dia é em si mesmo
o último e o primeiro,
como vivo esse dia?
o que faço no caminho?

I.R.