sexta-feira, 13 de junho de 2025

mar y asfalto

con su marea alta
y los destrozos de ayer,
com o mar lambendo a azaração,
e o meu corpo fincado na areia molhada,
sem poder mergulhar -
así conocí el mar y su fúria,
sus dioses impartiendo justicia,
e vivi ressacas na praia grande.
de donde salí para otros aires,
com a sua maré de buzinas,
miles de personas sin verse,
e  a solidão,
que te lambe como uma onda
durante una resaca
um domingo de manhã

Igor Ravasco


quinta-feira, 12 de junho de 2025

sou o que soy

                     sou mestiço,
                     fruto do sim e do não,
                     sou afroameríndioeuropeu,
                     cristão, umbandista, judeu
                     ateu nas horas vagas - 
y poeta,
que es pa' soportar los dolores
de mis venas abiertas,
y festejar los colores

                     da minha existência.
                     tenho forró no pulso,
y el impulso de la mpb en mi cerebro,
                     e celebro o samba
                     e o tango que trago no peito.
mi corazón es chico,
repique y piano,

                     e o meu plano é ser um afoxé
                     numa ladeira divina de salvador

Igor Ravasco

ojo

a palavra que não diz,
          la que no dice,
a que não disse,
          la palabra que no dijo,
          ojo,
          es vacía, es ruido,

é vazia de sentido
e me esvazia,
roubando meu ar.

Igor Ravasco

terça-feira, 10 de junho de 2025

partição

sou o real e o fake,
o cérebro natural,
o app artificial que consulto,
sou o adúltero e o adulto,
          el personaje que actúa
          y la persona que actúa,
a mentira nua, y la verdad burda,
sou a vontade absurda de berrar.
          tengo un rompecabezas
          armado en mi cabeza,
          tal vez lo desarme

no formato de versos

Igor Ravasco

domingo, 8 de junho de 2025

claroscuro

não há teto que me cubra
nem chão que me dê base,
     ni secreto tan secreto
     que yo descubra,
     pero que no me atraviese.
há ninhos nos galhos
     y ganas de niño de trepar.
queria ser silencioso, cauteloso,
criar imagens, guardar palavras,
quisiera não rasgar a alma, já rasgada,
pois sei que não há pressa
nem pressão.
     mientras dure el mientras tanto,
     camino, me lleno de encanto
     y me miento con ese mientras
     y disimulo uno que otro llanto...
     labro, pulo, laburo,
     gestiono un gesto medio oscuro,
sem culpa, sim, sem cúmplice...
comendo minhas vontades
     con alguna indigestión

Igor Ravasco

domingo, 1 de junho de 2025

para Gaza

                 me siento con la cabeza
                 entre las manos...
                 me siento mal
                 veo el mal, lo huelo.
                 no hay gasa para Gaza,
                 no hay risa,
                 no hay prisa
                 por defender la vida
                 que se muere todos los días,
                 como en La Matanza,
ou na Cidade de Deus.
onde está Deus?
não há gaze para Gaza,
não há riso,
há barbárie...
me sento com a cabeça
entre as mãos
me sinto mal... e choro.

Igor Ravasco

quinta-feira, 29 de maio de 2025

ciranda

não foi lia quem me deu essa ciranda,
nem nunca fui a Itamaracá...
              mas ciranda, cirandinha,
              vamos todos cirandar,
              dou meia volta, volta e meia,
              mesmo sem saber dançar.

e o que eu leio, o que eu lia,
o que eu vivi e vivo
influencia no que eu penso,
sinto, sofro e amo.
meu passado, meu presente
                                          e minha história,
              não são apenas memória,
mas o caminho em percurso
                                    nessa brincadeira de roda

Igor Ravasco

domingo, 25 de maio de 2025

qual é o fim?

a viagem finda
no preciso instante
em que a música termina.
momento precioso
              de carta jogada,
              de verso concluído
que preço algum poderá precisar.
                                          (adeus Araribóia,
                                          foi um prazer conhecê-lo.)
não luto contra o luto,
as cartas são sempre as mesmas,
mas os jogos e as regras diferem,
                            algumas acariciam,
                            enquanto outras ferem...

desembaralho,
                            pra voltar a embaralhar

Igor Ravasco

segunda-feira, 19 de maio de 2025

curta!

qual é o sentido da vida?
                             nenhum.
e o sentido da minha vida?
só eu posso responder,
                                 escolher, 
sem mentir pra mim mesmo,
em silêncio, em voz alta,
(em minúscula,
                           EM CAIXA ALTA...) 
esse sem sentido de todo dia
onde luto,
que eu curto, e compartilho, 
aprendendo a relaxar, 
a abrir esperto o espartilho....
                      até a hora de sair de cena...
                    
                    a vida é curta para ser pequena

Igor Ravasco 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

mar e azeite

aquele menino de dezesseis
é baixo, é grande, tem medo
e ama,
talvez por primeira vez,
com cheiro de pão
e quiabo com carne seca.
aquele de dezessete
até tenta não fazer
o que o de dezoito fará,
descortinando um horizonte,
nem sempre belo.
aqueles jovens de vinte e nove
ou vinte e três, de trinta e cinco
ou de quarenta e dois, 
que nem sempre foram amados, 
nem sempre amaram, 
precisam de amparo, 
de um colo, de um conselho tardio, 
deste adulto de cinquenta, 
nessa estrada dos muitos eus

Igor Ravasco