quarta-feira, 14 de maio de 2025

trinca

na torre,
trança e transa são dilema,
                    dança ou tranca...


placebo, placenta, plateia...
                    uma tarântula ateia
caça lenta e inevitável.

tanta asa-branca,
tanto tantra, tanto mantra
                            cantado por baleia franca...

        (não sei limpar polvos.)

        e me pergunto:
quanta vida cabe
quando a vida acaba?

Igor Ravasco

domingo, 4 de maio de 2025

"more"

amar é a maré
que se enche e se esvazia
no pulsar do mar.

            maravilha, maravida,

a alma artesã de uma arte sã,
estrela desamarrada...

amar é oceano e estrada,
            
                   o caminho de volta para aldebaran

Igor Ravasco

sábado, 26 de abril de 2025

tempo

a hora que passa devagar
e a hora que passa rápido
duram os mesmos sessenta minutos,
e cada minuto sessenta segundos,
nesse tempo que voa
ou nessa hora que não passa mais.
tempo é número e palavra,
tempo é matemática e língua
e nem sempre se mede,
mas se sente e mais se vive.
o tempo se experiencia...
(experiência própria),
vivência tão pessoal,
onde só nos cabe pulsar.

Igor Ravasco

quarta-feira, 16 de abril de 2025

panapanã

quis caçar palavras
como quem caça borboletas,
mas borboletas não se caçam,
e o caça-palavras deveria ser
somente um jogo.
escrever não é um jugo,
viver não é um jugo,
e quem vive assim, não julgo,
mas a vida, pra mim,
é um “jugo”, um suco, em espanhol,
que deve ser saboreado lentamente.
quis caçar palavras
como quem caça borboletas,
mas borboletas não se caçam...

sua beleza é proporcional à sua liberdade.

Igor Ravasco

sexta-feira, 11 de abril de 2025

trilha sonora

é no silêncio que me ouço, 
como alguém que ouve
o que houve ou o que há, 
que relê o não reles bê-á-bá... 
é no silêncio que me escuto, 
que escrevo escritos silentes, 
salientes, 
sem lentes de aumento, 
excelentes pra não falar 
o que já estou dizendo...

sou alguém que está sendo
na senda do silêncio musical. 

Igor Ravasco 

terça-feira, 8 de abril de 2025

abrindo abril

a folha em branco,
a mente em branco,
as letras pretas
dançando diante
dos meus olhos castanhos...
não tenho tantas pretensões
mas às vezes sou pretensioso.
não falo latim nem grego,
não sei a arte da matemática,
sou um professor de língua
que dispensa a gramática
e suas normas,
e minhas normas,
pensando em suas formas...
a folha em branco,
a mente imensa...
amor, acenda um incenso, por favor.

Igor Ravasco

sexta-feira, 28 de março de 2025

por meio da linguagem

palavra, tu és...
és pura, espúria,
escura, és cura,
és espuma,
estrutura,
escultura... 
palavra, tu és fúria,
e se esfuma
como escuna
no espaço
que a vista alcança

Igor Ravasco 

quinta-feira, 20 de março de 2025

desolação

o ser humano, tão parte da natureza
quanto uma árvore, uma águia ou uma ameba
se sente separado dela
e se guia pela dualidade.
não vê que destruir a natureza
não é um crime, mas um suicídio.
que mundo deixarei a meu filho?
em que mundo queimarei
em verões sufocantes?
em que momento nos insensibilizamos
diante do sofrimento do outro,
que também somos nós?
por acaso o choro das crianças em gaza
é menos importante do que o choro
nos campos de concentração
da segunda guerra ou em todas as guerras?
o que não deixa dormir direito
é o cansaço de não me entregar ao pessimismo.
não verei um mundo melhor,
não deixarei a meu filho um mundo melhor,
só posso deixar a esperança.
essa que luto todos os dias para não perder.

Igor Ravasco

domingo, 16 de março de 2025

no bico

o que me distrai me destrói
se não for feito com consciência.
piloto automático
ou ponto morto,
o anestesiado não está absorto
em seus pensamentos.
quando rasgaremos as camisas de força
(auto)impostas pela alienação?

                    nunca existirá na farmacologia
                    um remédio contra a separatividade.

sou beija-flor levando água no bico
pra apagar uns incêndios.

Igor Ravasco

quinta-feira, 6 de março de 2025

o que é um poema?

talvez se eu disser que isto
não é um poema, você leia este texto
como receita ou prova de química.
mas se eu disser que é um poema,
“algodão,
caneta,
ovo de páscoa
e papel higiênico”,
deixam de ser palavras de uma lista
(bastante aleatória) de supermercado,
e é poesia, lida e interpretada
por “olhos-de-ler-poesia”
e que o leitor interprete o que puder,
pois a brincadeira por trás do texto
é uma senha na mão de poucos...
bicicleta, oito anos, voltas pelo labirinto,
desafio, memória, história... poema...
que não era, mas agora é.

Igor Ravasco