Diriam os ícones da música besteirol brasileira dos últimos tempos: "comer tatu é bom, que pena que dá dor nas costas".
Esse mesmo tatu foi o que serviu durante muitos anos para a confecção de um instumento musical andino, usado na música da Bolívia, do Peru, do norte da Argentina e também no Chile e no Equador.
Não quero me estender com explicações. Outros já explicaram por mim.
Apesar de associado à música andina, o charango é um instrumento que pode ser usado em qualquer tipo de música, do flamenco a Bach.
É um pouco estranho ver um cara todo bombado de academia tocando um Charango. Seria como ver Stallone passeando com um poodle.
Para mim, quando se fala de charango, sem menosprezar nenhum dos grandes mestres do tatu sonoro, me vem aos ouvidos imediatamente a figura de Jaime Torres, o Jimi Hendrix do charango.
o alaúde iluminado alude à realidade não à ilusão; alumia o minarete, alimenta o campanário, é ponte aérea num tapete mágico entre dois mundos: crescente e estrela, cruz e sacrário. e eu me deslizo em suas cordas me orgializo em suas odaliscas... a la una a las dos y a las tres
a versatilidade da corda, os seus diversos usos, visualmente amarrada a um pandeiro para olhos leigos, nos traz o jazz, o samba, o bluegrass, nos move os pés, nos leva aos states, e nos pede uma cerveja numa roda de pagode.
abro as bonecas, matryoshka por matryoshka, e no final há uma balalaica. não sei o que fazer com essa coisa triangular. há de diferentes tamanhos... um triângulo de três cordas que se toca, um cavaquinho estranho que não sei se faz samba. minha cabeça tá confusa. definitivamente, a corda tá russa.
PS: Quando eu era pequeno, fuçando os livros do meu pai, de vez em quando eu abria um de literatura russa. Nunca li o livro inteiro. Na verdade, acho que nunca li mais de um poema...
BALALAICA Maiakóvski (tradução: Augusto de Campos)
Balalaica [como um balido abala a balada do baile de gala] [com um balido abala] abala [com balido] [a gala do baile] louca a bala laica
São as cordas musicais que estão mais próximas de nós. Muitos as têm, muitos as tocam, muitos fazem dela uma arma de sedução ou um acompanhamento indispensável em reuniões, luaus, saraus e festinhas informais.
Talvez seja o instrumento mais popular do Brasil. E ainda por cima com um nome no aumentativo, bem ao gosto do brasileiro. Violão.
Pensei muito em quem colocar aqui no Carta e Verso mostrando a sua arte. São tantos e tão bons os que tocam e tocaram esse instrumento que, com certeza, a chance de ser injusto é imensa. Então optei pelos vivos e que tocassem o violão comum de 6 cordas. E depois de optar pelos vivos, o critério foi: eu gosto. E ponto.
Paco de Lucía
Luis Salinas
E João Gilberto, como prova de que sempre há algo novo para se descobrir no instrumento, como exemplo de como muitas vezes o violão é o melhor amigo do cantor.
Dizem que é o instrumento dos anjos, mas ao vê-lo, não posso deixar de me perguntar quanta força deve ter e de que tamanho deve ser o anjo para carregá-lo.
A harpa, mas confesso que é melhor el arpa e ainda melhor the harp é um dos instrumentos mais antigos do mundo e, com todo respeito, talvez seja um dos mais sonolentos.
Agora, voltando a questão dos anjos, acabei descobrindo que dependendo do lugar de onde é o anjo, ele dá um jeito de levar a sua harpa.
Os anjos clássicos carregam as maiores e mais pesadas:
Os anjos celtas tocam um instrumento mais leve e às vezes bem menor:
Os anjos paraguaios tocam a harpa mais divertida, mais animada. Talvez a única que nos garanta um sonho com ação.
E a coisa é tão variada, que até os anjos da Birmânia têm a sua harpa, o saung ou harpa birmanesa.
No Brasil, na falta de uma harpa nacional, temos que improvisar com um cavaquinho ou com uma viola caipira, mas essas são outras histórias.
De Portugal o que poderia vir? Além de Cabral, da língua portuguesa, do fado, do vinho do Porto, do bacalhau, que não é português, e de parte de minha família, claro que a guitarra portuguesa.
E com ela, a certeza de que nenhum acordo poderá unificar a nossa língua cem por cento. Toca aí, Antônio, digo, António Chainho.
Acabo de descobrir que as cordas vocais também são chamadas de pregas vocais.
Sinceramente, eu sabia que as pregas podiam 'falar', podiam 'gemer', podiam 'declamar Os Lusíadas' em determinadas situações, e podiam se queimar e você podia acabar perdendo as mesmas.
Essa novidade de que o buraco é mais em cima e de que as cordas vocais, que não são cordas, também podem ser chamadas de pregas me deixou abalado.
Mas voltando ao X da questão, o caso é que cantamos, e cantando, além de espantarmos os males e os vizinhos, podemos nos alegrar, podemos expressar um sentimento, podemos fazer arte, podemos nos divertir, relaxar, podemos liberar tensões e tantas coisas mais que um blog é pouco para expressar.
No Rádio Gordo há uma entrada sobre as cordas vocais e uma referência ao "canto de garganta" ou "canto difônico". No Rádio Gordo ele nos é apresentado com músicos da Mongólia. Aqui eu optei por músicos de Tuva.
Mas e o canto como estamos mais acostumados, quem pode representá-lo? São tantos os nomes e as vozes que fica difícil escolher. Opto então pela beleza rouca da voz daquela que foi escolhida pela BBC como a cantora do milênio.
E em música com letra de protesto.
E atire a primeira pedra aquele que jamais cantou no chuveiro.
O Afeganistão é mais do que burca (ou burka ou burqa), talibã, guerras e papoula. Do Afeganistão vem um... não, peraí... dois instrumentos de nomes parecidos, mas de maneiras de tocar diferentes e que segundo alguns historiadores vão dar origem a outros instrumentos de corda que em outro momento passarão por aqui. É claro que esses instrumentos não são exclusivos de lá. Mas, cá entre nós, no nosso mundo globalizado o que podemos dizer que é exclusivo de algum lugar?
Blues, jazz, rock (em todas as suas vertentes), pop, etc.
Voltando a falar de cordas, um dos instrumentos mais influentes na música do século XX é a guitarra. Ele é tão importante na música que fica até difícil escolher alguém para mostrá-lo em execução. Todo mundo conhece a guitarra, mas para informações mais específicas eu recomendo a questionada wikipédia.
Antes de falar sobre a sanfona de corda, conhecida na Europa pelo nome de zanfona ou sanfoña ou em inglês por hurdy gurdy, quero dizer que este blog ficou contente em ter ajudado a dar origem a um novo verbo na língua portuguesa.
Para conhecer este verbo e continuar com a temática de instrumentos de corda, eu convido o pessoal que aparece por aqui a dar uma olhadinha na viola caipira no blog Rádio Gordo.
Agora, que história é essa de sanfona de corda? O nosso problema é estarmos tão acostumados a certas palavras e a certas definições que não pensamos (ou não vemos possível) que uma palavra pode ser o nome de mais de um instrumento musical.
A bem da verdade, isso seria um problema no Brasil se a sanfona em questão fosse tão famosa quanto a de Luiz Gonzaga, por exemplo.