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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Nada



O nada, nada mais do que vazio,
É realidade nossa, aqui e agora,
A verdade que dentro é também fora,
Não termino, porque nem principio.

E o tudo é correnteza deste rio,
Que vira mar, amor, onde se mora,
Pois nada, sendo nada, é o que vigora
E só posso ser um se renuncio.

Mas não digo ao que devo renunciar,
Cada um tem seu próprio despertar
E descobre o momento em que está nu.

Só digo que os opostos não existem
E as ideias que em nós ainda resistem,
São só mera ilusão, falso guru.

I.R.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

a palavra é de prata

nem sempre o silêncio é de ouro.

de acordo como não se diz,
o silêncio pode ser triste,
vingativo.

o não falado, carregado de significado,
pode ser cortante,
feridor.

um silêncio infeliz,
amargo como bílis corroendo as entranhas,
pronto para descarregar no outro
a angústia das próprias frustrações.

I.R.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

pescaria


Foto: M.E.L.

vejo a rocha aí,
ponta imóvel,
ilha, pedaço de terra, praia e pedra,
cercada de água salgada por todos os lados,
e os barcos vazios,
sinal de que houve
e sempre haverá pesca.
sempre há pesca nos olhos de quem vê,
linha na retina,
anzol na pupila,
e a vontade de pescar
uma verdade no fundo do mar.

I.R.

sábado, 8 de janeiro de 2011

transparente

quando teu braço
se transforma em abraço
e tua boca
(lábio, língua e lábio)
se transfunde em beijo,
me transubstancio,
me transporto.
e sou marinheiro
que chegou a seu destino
sou meu destino
que se transplantou no porto.

I.R.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

inverso

no anverso da medalha
tenho seu nome gravado
ao lado do meu.

o reverso me lembra
que guardar-me
não é nem mesmo opção.

com carta ou com verso
converso com você.

e me exponho
e me mostro
e me entrego
e me rasgo
e me dou.

I.R.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O que me faz feliz

Não quero ser famoso ou conhecido
Nem que meus versos sejam essenciais,
Prefiro coisas simples ou banais,
As coisas que pra mim tem um sentido.

Preciso ler, bem mais do que ser lido,
E escrever os meus versos naturais,
Versos simples em frases decimais,
De coisas que vivi e tenho vivido.

E o verso nasce só, sozinho sai,
Pois prefiro antes ser um melhor pai,
E evoluir em ser seu companheiro.

Pois seu amor me faz melhor pessoa,
E me transmite tanta coisa boa,
Que então me entrego à vida por inteiro.

I.R.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Soneto para meu amor

Eu não quero invadir o seu espaço,
Nem me impor ou impor minha presença,
O que quero é igualdade e diferença,
E “recansar” meu corpo em seu regaço.

Viver a vida eu quero, passo a passo,
E quero partilhar da sua crença,
Sentindo essa alegria mais que imensa
De ser o seu tarado e o seu palhaço.

A vida com você, isso é o que eu quero,
A vida construída com esmero,
A existência vivida co' alegria.

Pois com você conheço mais de mim,
E não tenho começo, meio ou fim
Na construção do nosso dia a dia.

I.R.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

na contra-mão

decido ir na contra-mão,
e escolho a alegria,
como meio de vida,
o sorriso
como forma de subsistência.

para isso não há ciência.

se a morte chega sem avisar,
porque temos de esperar
que a vida se anuncie?
tristeza não tem fim?

vou na contra-mão,
driblando carros,
esquivando motos,
biciletas...

a ponta do iceberg
basta para afundar um navio
e se o ócio é pai de todos os vícios,
a paciência é mãe de todas as virtudes.

escolho ir na contra-mão.
decisão própria
respeitando quem vem enquanto vou,
sabendo que aos poucos
somos cada vez mais.

I.R.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

incomplexo

sou apenas uma peça minúscula
no meio de uma engrenagem,
parte de uma máquina,
que é parte de um maquinário maior.

o que não faz de mim um ser inferior.

sou grão de areia no saara,
gota do oceano que se escapa
do mar na barriga de um peixe,
sou gás metano...
inflamável, incolor e inodoro,

mas nem por isso sou um ser inferior.

tenho dois membros superiores,
dois inferiores,
dois olhos, dois ouvidos, duas narinas,
tenho dois testículos e duas nádegas,
vinte dedos e um pau,
sou ímpar e normal...

mas nem por isso sou um ser superior.

sou poeira cósmica,
incenso queimado em louvor
a algum deus,
sou divino e sou mundano,
sim, eu sou metano
e também metanol.

mas nem por isso e nem assim sou um ser superior.

I.R.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

me dijo un amigo


Arte de Patrício Otero - "Tango Rápido"

tengo un amigo amante de la cultura,
de las monedas viejas,
de la música,
de la buena cerveza,
y de su novia,
entre otros tantos amores
que seguro los tendrá.

tengo ese amigo que me dijo,
no, no me dijo,
me dice
con su acento español:

igor, cuando ames,
ama sin miedo,
entrégate sin miedo,
confía sin miedo.
no te guardes nada para ti:
compártelo todo,
entrégalo todo.
sólo así te sentirás completo con quien amas.

qué me queda hacer,
además de cerrarme los ojos
y tirarme al vacío?

I.R.

domingo, 17 de outubro de 2010

versos autorais

não costumava dizer as coisas que digo,
mas não costumava.
agora que digo,
faço e sinto, e você sabe,
sei que dividir soma e multiplica

fazer o que se diz,
sentir o que se faz,
dizer o que se sente
até mesmo sem palavras.

experiências novas...

um homem abandonando as entrelinhas
para mergulhar no texto,
deixando de ser personagem
descobrindo a satisfação de ser autor.

I.R.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

treze de outubro

talvez, se digo dois meses,
me digam que é pouco.
devo dizer sessenta dias
ou mil, quatrocentos e quarenta horas?
melhor se digo oitenta e seis mil e quatrocentos minutos
ou cinco milhões, cento e oitenta e quatro mil segundos?
talvez não deva dizer nada.
medir o infinito não é mesmo uma tarefa fácil.

I.R.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Areias novas


Arte: Patrício Otero (Cierto Desierto)

A areia já não pode ser contida,
Crescem dunas, escondem-se caminhos,
E se os homens se sentem tão sozinhos
Talvez não saibam bem sentir a vida.

Eu também tive um' alma entristecida,
Sem ver na própria areia os seus carinhos,
Pensando ser vinagre tantos vinhos,
Sentindo-me faminto e sem comida.

Como quem vive a angústia da miragem
Por anos eu montei um personagem
Que agora eu desconstruo a peito aberto

E nesse mar de areia eu me descubro,
Sou forte, não me escondo, não me encubro,
Não preciso de oásis no deserto.

I.R.

sábado, 2 de outubro de 2010

um poema de amor

muitas vezes os poemas de amor
são considerados bregas,
ridículos,
melosos,
excessivos.

sempre tive vergonha dos poemas de amor,
vergonha própria,
não vergonha alheia...
exteriorizar o que se sente nem sempre é fácil.

mas adeus entrelinhas,
subtexto,
viva a breguice tornada poesia!

pois amo a sua presença
e estar com você,
amo o seu sorriso
e as nossas conversas,
amo a sua delicadeza
e a sua busca por crescer,
amo a sua cama
e as nossas sestas,
amo as nossas sextas
e o nosso presente,
e a construção de um passado,
de um futuro,
e de um pretérito imperfeito do subjuntivo.

I.R.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

chiaroscuro

no escuro,
algumas conversas,
são francas,
claras
e reveladoras.

na intimidade
da escuridão,
algumas conversas
têm a luminosidade
de um milhão de sóis.

I.R.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

escolher

eu escolho
você escolhe
nós escolhemos

e o resto... o tempo dirá.

I.R.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

meu furacão


Reuters


enquanto um furacão, xará meu,
assusta o atlântico,
eu, pacífico,
desfruto a brisa
que me refresca todo dia.

Igor

terça-feira, 14 de setembro de 2010

adão e eva

depois de comer o fruto proibido,
adão e eva sentiram vergonha da própria nudez.

sejamos sinceros,

eles não sabiam o que estavam perdendo.

I.R.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

31 do 13

não foi ontem aquela noite
em que ajoelhado me aproximei de você,
sentada no sofá.

não foi ontem, nem semana passada,
e se foi somente há um mês,
sabemos que na verdade não foi.

a contagem do tempo às vezes se engana.

um mês e o desejo de muitos anos,
um mês com cara de muitos meses,
e a sensação de outras vidas.

um mês...
31 dias de um dia 13,
uma sexta-feira 13 cheia de boa sorte.

I.R.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

alinhamento

um astro caminha e ocupa o seu lugar
chama um outro
e pede que fique ao seu lado.
dão-se as mãos.
lado a lado,
astro a astro
chamam um terceiro,
um quarto,
toda uma fila de astros
de mãos dadas,
alinhados,
armando um quebra-cabeça que se encaixa
formando uma vida cheia de desafios,
um painel de pensamentos positivos,
a construção contínua da felicidade.

I.R.