sexta-feira, 11 de abril de 2025
trilha sonora
terça-feira, 8 de abril de 2025
abrindo abril
a folha em branco,
a mente em branco,
as letras pretas
dançando diante
dos meus olhos castanhos...
não tenho tantas pretensões
mas às vezes sou pretensioso.
não falo latim nem grego,
não sei a arte da matemática,
sou um professor de língua
que dispensa a gramática
e suas normas,
e minhas normas,
pensando em suas formas...
a folha em branco,
a mente imensa...
amor, acenda um incenso, por favor.
Igor Ravasco
sexta-feira, 28 de março de 2025
por meio da linguagem
quinta-feira, 20 de março de 2025
desolação
o ser humano, tão parte da natureza
quanto uma árvore, uma águia ou uma ameba
se sente separado dela
e se guia pela dualidade.
não vê que destruir a natureza
não é um crime, mas um suicídio.
que mundo deixarei a meu filho?
em que mundo queimarei
em verões sufocantes?
em que momento nos insensibilizamos
diante do sofrimento do outro,
que também somos nós?
por acaso o choro das crianças em gaza
é menos importante do que o choro
nos campos de concentração
da segunda guerra ou em todas as guerras?
o que não deixa dormir direito
é o cansaço de não me entregar ao pessimismo.
não verei um mundo melhor,
não deixarei a meu filho um mundo melhor,
só posso deixar a esperança.
essa que luto todos os dias para não perder.
Igor Ravasco
domingo, 16 de março de 2025
no bico
o que me distrai me destrói
se não for feito com consciência.
piloto automático
ou ponto morto,
o anestesiado não está absorto
em seus pensamentos.
quando rasgaremos as camisas de força
(auto)impostas pela alienação?
nunca existirá na farmacologia
um remédio contra a separatividade.
sou beija-flor levando água no bico
pra apagar uns incêndios.
Igor Ravasco
quinta-feira, 6 de março de 2025
o que é um poema?
talvez se eu disser que isto
não é um poema, você leia este texto
como receita ou prova de química.
mas se eu disser que é um poema,
“algodão,
caneta,
ovo de páscoa
e papel higiênico”,
deixam de ser palavras de uma lista
(bastante aleatória) de supermercado,
e é poesia, lida e interpretada
por “olhos-de-ler-poesia”
e que o leitor interprete o que puder,
pois a brincadeira por trás do texto
é uma senha na mão de poucos...
bicicleta, oito anos, voltas pelo labirinto,
desafio, memória, história... poema...
que não era, mas agora é.
Igor Ravasco
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
perdão
se errei te peço perdão...
não!
não funciona assim.
mas...
porque errei,
e reconheço meu erro,
e não me vanglorio,
e sei o mal que causei,
peço perdão,
sem falsa humildade,
sem botar nos outros a culpa
ou a responsabilidade,
sem achar que, no fundo, tenho razão...
pois não tenho.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
estimação
sábado, 8 de fevereiro de 2025
saudadear
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
naturezo
sou um fenômeno,
um fenômeno da natureza,
um fenômeno complexo,
um ser multicelular complexo,
não dissociado do meio ambiente.
e ao mesmo tempo que sou único,
irrepetível,
sou parte de um todo indissociável,
sou um com o um,
comum.
sou eco e ressonância,
conhecimento e ignorância,
sou ego, não nego...
mas me descubro rio desaguando no mar
Igor Ravasco