quinta-feira, 10 de outubro de 2024

um, sete, um

pra não enganar ninguém,
repetir sempre faz bem...
não sou poeta nem artista.
sou um 171 das palavras,
um estelionatário,
faço um estelionato literário,
mas sem levar vantagens,
nem causar prejuízos,
além de dois segundos de perguntas.
sou apenas um reflexo,
um espelho de corpo inteiro,
um vigarista sem nexo nem interesse...
então, que fraude sou?
que golpe eu aplico?
que xou da xuxa é esse? 

I.R.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

síntese

quero ser sintético, não tão sintático,
simpático, sem ser otário,
escrever este diário, quase rezando,
para um não-deus sincrético.
quero ser herético e semântico,
um não-romântico,
vibrando em sintonias quânticas,
em frases cômicas,
sob um céu cor de crômio.
não quero a hipotermia, nem a hipotenusa,
quero ver a medusa, de cabeça cortada,
me lembrando a estátua de pedra,
que um dia eu fui.

I.R.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

intu(indo)

intuo teu sendo,
tateio tua senda,
tua percepção, fruição...
com gosto de fruta madura
colhida por fortuna no pé,
de pé... e acordado.
intuição é mais que pressentir;
é sentir...
e dar voz... (à própria voz).

I.R.

sábado, 28 de setembro de 2024

vibrante

acho rimar sorriso com preciso,
do verbo precisar, sinônimo de necessitar,
brega,
e o mundo não precisa desses versos.
assim como não preciso do seu sorriso,
mas gosto de olhar pra ele,
gosto de trazê-lo,
ou visualizá-lo em sua ausência.
adoro seu sorriso, exibido com precisão
por sua boca grande e por seus olhos.
mas, conste em ata,
amo sua gargalhada
e o que ela desata,
expressão de humor, de amor... de vida.
e vida em abundância.

I.R.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

perambulando

acredito na caminhada,
no caminho,
não no destino.
não estou destinado a nada,
vou pela estrada, estudando, 
descascando abacaxis,
cortando pepinos,
na busca do simples.
a cura é simples,
mas dá trabalho.
sempre é hora de derrubar o tótem, 
amar e ser amado não é tabu.

I.R.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

anátema para eros

anamnese feita,
analisada pelo analista,
análise de diálogo, de escuta:
há na obra uma anáfora
que, transbordando uma ânfora,
troca a metáfora pelo anacoluto.
há na obra um anagrama,
uma anarquia,
há dois seres, anatomia,
voltando da anabiose
(sinônimo bonito para a hibernação).

I.R.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

assim seja

te ponho na mira,
te cheiro na mirra do incenso
da missa pagã da manhã,
que nada apaga.
(lenha macia como o lençol.)
você me lê e sabe,
meus amigos me leem e intuem.
enquanto penso em voz alta,
navegando nessa caravela,
recatado e lascivo.
sinto que há vida e sei o porquê.
sinto... porque estou vivo.

I.R.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

vastidão (revisitada)

olha, ouve.
vê, vê.
vem, vou...
viagem de vagões inusitados,
vulneráveis...
verdades e vacilações.
o variado de sempre
ou o de várias vezes,
o variado novo.
ouvindo o vento de novo,
sorvendo o vinho,
vivendo...

(com a intensidade de um vaga-lume)

I.R.

sábado, 7 de setembro de 2024

absurdo

as aparências não enganam,
são só aparências,
(não são essências florais,
nem florais de bach)
são apenas a essência do que se vê...
e quem vê cara, não vê coração.
essencial é ser a pessoa que se é
(que sou)
-essencialmente-
-somente-
assumir minha própria existência,
beber no poço das minhas contradições.
talvez o progresso seja um engodo
e o caminho circular...

vou dando sentido a esse nonsense

I.R.

domingo, 1 de setembro de 2024

cabo da nau

não acredito em deus,
(ou talvez em quase todos eles)
mas acredito na tia que canta o louvor,
acompanhando o violão do sobrinho.
acredito em sua fé,
que não é a minha,
e somos um no amor à música.
me alegrei com sua alegria
cantei com ela, com gosto,
enquanto ela louvava seu deus
e eu celebrava a nossa humanidade.

I.R.