olha, ouve.
vê, vê.
vem, vou...
viagem de vagões inusitados,
vulneráveis...
verdades e vacilações.
o variado de sempre
ou o de várias vezes,
o variado novo.
ouvindo o vento de novo,
sorvendo o vinho,
vivendo...
(com a intensidade de um vaga-lume)
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
vastidão (revisitada)
sábado, 7 de setembro de 2024
absurdo
as aparências não enganam,
são só aparências,
(não são essências florais,
nem florais de bach)
são apenas a essência do que se vê...
e quem vê cara, não vê coração.
essencial é ser a pessoa que se é
(que sou)
-essencialmente-
-somente-
assumir minha própria existência,
beber no poço das minhas contradições.
talvez o progresso seja um engodo
e o caminho circular...
vou dando sentido a esse nonsense
I.R.
domingo, 1 de setembro de 2024
cabo da nau
não acredito em deus,
(ou talvez em quase todos eles)
mas acredito na tia que canta o louvor,
acompanhando o violão do sobrinho.
acredito em sua fé,
que não é a minha,
e somos um no amor à música.
me alegrei com sua alegria
cantei com ela, com gosto,
enquanto ela louvava seu deus
e eu celebrava a nossa humanidade.
I.R.
sábado, 24 de agosto de 2024
ravascando
sei
lá se você ravasca,
se sai da casca,
se você se lança
só sei que nessa dança
eu ravasco...
será que se você ravascasse...
não sei, eu ravasco,
mas não ravasqueio,
porque ravasquear
não é ravascar,
e se ontem ravasquei,
se amanhã ravascarei
é porque ravascar não se define, afinal.
I.R.
quinta-feira, 22 de agosto de 2024
reflexo
coloco
a criança no verso,
ponho a palavra no berço.
refletido na janela,
me reconheço palavra e criança,
no berço, no verso, no reverso da medalha
que já não uso,
eu tão esclarecido e tão obtuso,
tão adulto e tão infantil.
ansioso, zen e sem paciência,
na adultez e na adolescência,
sou palavra, verso, berço, criança,
alegria, tristeza e esperança...
sou do verbo ser, ser do verbo estar.
I.R.
quarta-feira, 14 de agosto de 2024
possivelmente
segunda-feira, 12 de agosto de 2024
energia
sábado, 10 de agosto de 2024
ambiente (de/dis) simulador
se a realidade é uma simulação
quem está jogando esse the sims?
meu sim, meu não,
o que me entristece, o que celebro...
meu coração e meu cérebro
em rota de colisão,
chegada do caos
jogando uma pá de cal no meu cais.
um banho sem sais, sal direto na ferida,
cérbero que me espera na porta.
(um cão ou três cães?)
I.R.
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
bivalve
não é algo nem algoz, é alvo.
e eu sei qual é
o objetivo da página em branco,
da mente em branco,
do coração em brancas nuvens,
que não escreve versos de amor.
o objetivo de não ser subjuntivo,
mas subjetivo, e escrever o que sinto.
porém pressinto que, pra sentir,
não devo mentir, não devo inventar.
então, eu preciso perceber
que não se trata do alvo,
mas de algo...
muito além de acertar.
I.R.
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
as coisas são
as coisas
são o que são...
o sol renasce e ‘remorre’ todos os dias,
a lua tem fases
e os pinguins de vez em quando
chegam à praia grande,
não como as baleias,
que têm sua temporada de vir.
alguns jovens jogam altinha,
alguns não jovens ouvem música
em grandes caixas de som.
as coisas são como são,
mas como me afetam
o mar, o sol, a bola,
a música alheia, os pinguins,
a mulher cheirosa que passa,
enquanto sou um com a praia grande,
isso diz respeito a mim.
as coisas são como são
e eu, grão de areia,
vou sendo como vou
I.R.