segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Presente

O que se espera e o que acontece,
As pequenas supresas desta vida,
Isso que a deixa alegre e colorida
Chega, fica, se instala e agora cresce

E chega por si só, e não por prece,
Sem pressa, mas sem pausa e mais querida
Na construção diária que é vivida,
Na nossa trama urdida que se tece

E isso que chega em forma de presente
É pra viver agora, vida urgente,
Unida ao todo, unida ao que revele

Que num abraço cabe um universo
E que não há no mundo nenhum verso
Que se compare ao toque da tua pele

I.R.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

hilaridade

lábios desenhados,
boca que se abre,
dentes que se mostram,
como num mostruário de humanidade,
de quem luta contra os monstros
sem perder a ternura,
na dura e bela realidade do dia a dia.
o sorriso que comove,
o riso que remove,
a gargalhada que contagia.
amaria, verbo condicional;
cuja condição é a emoção do infinito.

I.R.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

surgimento

há poucas respostas
e muitas perguntas
dentro de outras perguntas.
inventamos lendas, o que nos conforte,
um destino, uma sorte,
criamos alívios pelo peso de desconhecer
o que não iremos saber...

surgimos do caos e do acaso
soldado raso que se pensa general
somos matéria
e o mistério que lhe dá vida,
essa que não veio do barro,
mas nasceu no mar.


I.R.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

mar-ritmo

não sei se sou filho de Yemanjá,
nunca vi no ifá,
mas amo seu reino.
cresci e moro no Cabo,
onde o carro de Apolo
vai do Anjo à Grande,
consciência que se expande,
com ciência de quem se é.
preciso salgar os meus pés
pra adoçar minha alma.
nem sempre o mar está em calma,
mas me acalma saber
que a onda que quebra na areia
circula na minha veia
seguindo o ciclo da maré

I.R.

sábado, 21 de janeiro de 2023

kintsugi

somos peça única,
mas não somos inteiros,
nos formamos na colagem,
no reparo e no remendo,
na coragem do rejunte.
somos louça, louca ideia,
somos espírito e matéria,
areia transformada em vidro
que um dia há de quebrar,
vidro temperado em mil fragmentos
vida vivida e vívida em momentos
onde somos luz e lustre
e ilustre cerol


I.R.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

memorioso

é difícil ser leve quando no disco rígido
de nossas lembranças somos tão duros.
é preciso ressignificar a memória,
aprender da história.
pois deletar aliena,
mas viver do passado aprisiona.


I.R.

sábado, 19 de novembro de 2022

no grito da noite

quando a noite caiu sobre mim
o breu obrou o milagre da luz
em consciência,
(inconsciência...)
brilho pulsante de um quasar,
quase um cometa
que comete o desatino 
de viver o seu destino.
quando a noite caiu sobre mim e me amou,
me desarmou,
e eu cortei as amarras do foguete
rumo a marte.
não há parte, (não aparte),
só há todo, sem toldo,
só há tudo pra gente ver o luar


I.R.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

de volta ao porto

vivo na borda,
na beira,
na encosta do pontal,
entre o mar.
vivo a bordo de mim,
às margens de certas convenções,
na ribanceira de tantas emoções
que descem ladeira abaixo,
onde eu me acho...
equilibrista do meu caos organizado,
organizado de modo improvisado,
mas pensado e sentido, como forma de amar.
vivo no limite, na circunvalação,
no cabo...
consciente do que reabro,
reencontrando esse meu lugar


I.R.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Soneto da Existência

Quem sou é resultado de quem fui
Apenas se permito que isso seja
Pois qualquer eu que vive e que deseja
É o que pra si aceita ou o que institui

Pois no barco da vida, rio que flui,
Posso ser manejado ou quem maneja,
Quem se esconde, projeta ou quem proteja,
Decidir o que sou me constitui.

Se ao passado dedico meus trabalhos
Então serei inteiro, e não retalhos,
E de mim não serei jamais ausente,

Unido a mim, ao outro, ao universo,
Vivendo a unidade no diverso,
Dedicado a viver este presente.

I.R.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

clarividencia

la clarividencia no existe,
pero existe la evidencia clara
de que solo las palabras no bastan.
las palabras sin hechos se desgastan,
se vuelven desechos de sílabas y letras
y no vuelven a los diccionarios
o a las bocas de donde salieron.
y si eso se puede comprender,
si eso se puede discernir,
la clarividencia existe,
y con su existencia,
la evidencia clara
de que la palabra en acto,
es de hecho, lo más lindo que hay.

I.R.