sábado, 19 de novembro de 2022

no grito da noite

quando a noite caiu sobre mim
o breu obrou o milagre da luz
em consciência,
(inconsciência...)
brilho pulsante de um quasar,
quase um cometa
que comete o desatino 
de viver o seu destino.
quando a noite caiu sobre mim e me amou,
me desarmou,
e eu cortei as amarras do foguete
rumo a marte.
não há parte, (não aparte),
só há todo, sem toldo,
só há tudo pra gente ver o luar


I.R.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

de volta ao porto

vivo na borda,
na beira,
na encosta do pontal,
entre o mar.
vivo a bordo de mim,
às margens de certas convenções,
na ribanceira de tantas emoções
que descem ladeira abaixo,
onde eu me acho...
equilibrista do meu caos organizado,
organizado de modo improvisado,
mas pensado e sentido, como forma de amar.
vivo no limite, na circunvalação,
no cabo...
consciente do que reabro,
reencontrando esse meu lugar


I.R.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Soneto da Existência

Quem sou é resultado de quem fui
Apenas se permito que isso seja
Pois qualquer eu que vive e que deseja
É o que pra si aceita ou o que institui

Pois no barco da vida, rio que flui,
Posso ser manejado ou quem maneja,
Quem se esconde, projeta ou quem proteja,
Decidir o que sou me constitui.

Se ao passado dedico meus trabalhos
Então serei inteiro, e não retalhos,
E de mim não serei jamais ausente,

Unido a mim, ao outro, ao universo,
Vivendo a unidade no diverso,
Dedicado a viver este presente.

I.R.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

clarividencia

la clarividencia no existe,
pero existe la evidencia clara
de que solo las palabras no bastan.
las palabras sin hechos se desgastan,
se vuelven desechos de sílabas y letras
y no vuelven a los diccionarios
o a las bocas de donde salieron.
y si eso se puede comprender,
si eso se puede discernir,
la clarividencia existe,
y con su existencia,
la evidencia clara
de que la palabra en acto,
es de hecho, lo más lindo que hay.

I.R.

sábado, 31 de outubro de 2020

meu rosto

meu rosto tem um resto
de réstia de luz,
rasteiro, restante,
gestante de formas,
gerador de gostos.
meu rosto,
emaranhado de músculos,
formador de caras
involuntárias que não compus,
é capa e conteúdo.
meu rosto desnudo,
falante e mudo,
se transforma em mil caretas
quando se descortina o amanhecer

I.R.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

escrevência

escrevo escondido,
talvez por vergonha.
escrevo calado,
sem alarde,
sem me iludir.
escrevo, enfim,
escondido de mim,
como um recomeço,
mutante,
metamorfose ambulante,
escrevo como forma de prazer

I.R.


domingo, 11 de outubro de 2020

há tempo

há tempo de pintar
e de poetar.
há tempo de traduzir
e de interpretar.
há tempos de silêncio,
tempos de vivência.
lei do retorno.
depois de novas respostas
deve haver novas perguntas,
movimento ondular de crescimento.
não basta viver...
tem que participar.

I.R.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

arraial oro (ou fernández do cabo)

o sol que se põe na praia grande
é o mesmo que se põe no rio negro.
venta.
o mesmo vento
em esquinas diferentes.
pera, uva, maçã e salada mista.
volto à infância
nas voltas da vida.

I.R.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Fogaréu

Enquanto Roma queima, um fogaréu
Destrói a Amazônia, e um fogo interno
Me consome, devora neste inverno
Meu porto e meus barquinhos de papel.

Eu, de braços cruzados, sob o céu,
Insônia posta em versos num caderno,
Não percebo que abraço meu inferno,
Sentado, esculpido com cinzel.

Urgente é descruzar todos os braços,
Ser bombeiro no hidrante dos abraços,
E a alma limpar de toda a mágoa.

Então apago o fogo a cada instante,
Com mangueira, com balde, avião hidrante,
Apago agora até com um copo d'água.

I. R.

domingo, 7 de outubro de 2018

manifesto ou #elenão

toda pausa é bem-vinda,
enquanto as ideias pousam.
mas em nome da liberdade,
com fome de amor
e sede de infinito,
preciso declarar
que não creio em mito
nem apoio quem apoia o horror

I.R.