é o mesmo que se põe no rio negro.
venta.
redescubro a arte do malabarismo,
andando pela corda bamba,
por sobre o abismo,
imensidão azul
ou o céu nosso de cada dia...
ansiedade, adrenalina,
a realidade que se assoma
ou o sonho ao que se destina...
variar as variáveis,
sem tocar o invariável desejo
de chegar ao outro lado,
e de, lado a lado, saber como descer
I.R.
as palavras não ditas
são como folhas de outono
que caem
formando não frases,
como o leito de um rio seco.
é preciso trabalho e persistência
e nenhuma ciência,
além da melodia.
é necessário voltar à origem,
sentir a vertigem
da consciência se tornando imagem,
som e sabor de poesia
I.R.
habita em mim uma ponte
extendida no horizonte do que vivo.
arco-íris,
que une de ponta a ponta
meu norte e meu sul,
com essa bússola descalibrada,
versão desalinhada
e moderna, com duas agulhas...
duas histórias, duas geografias,
duas culturas, dois idiomas...
e um sol... esse único sol
que nasce no rio da prata
e se põe nas águas frias
de uma praia grande
onde também não nasci
habita en mí un puente
extendido en el horizonte de lo que vivo.
arcoiris,
que une de punta a punta
mi norte y mi sur,
con esa brújula descalibrada,
versión desaliñada
y moderna, con dos agujas...
dos historias, dos geografías,
dos culturas, dos idiomas...
y un sol... ese único sol
que nace en el río de la plata
y se muere en las aguas frías
de una playa grande
donde tampoco nací
I.R.
na distância,
o que distancia
não é o que se diz,
mas o que se anseia,
sem poder realizar.
relatos náufragos,
mensagem engarrafada,
trânsito que não transito,
não por ser herói
e menos por ser mito.
transmuto,
transmito.
não fico
e desmistifico à distância...
a ânsia do que se diz
é só o desejo de se achegar
I.R.
à noite, os acordes me acordam,
sem um acordo tácito...
tenho os dedos flácidos
e a mente em ebulição.
no apagar das luzes,
a granada que explode
não retumba,
tem um eco seco,
uma sonoridade muda,
que me muda, me transporta
e abre uma porta
para as janelas que fechei.
é no silêncio que se gera
e que se estabelecem os vínculos.
esse silêncio
que também é fazer poético,
poesia em estado bruto,
onde desvinculo os círculos,
poesia para lapidar
em silêncio.
à noite, o silêncio me acorda...
I.R.
10 anos e um dia se passaram desde que escrevi pela primeira vez aqui. Tive anos de escritura compulsiva, até abraçar o desejo de escrever pouco. Gosto da não pressão de escrever, embora saiba que ainda me pressiono. Não gostaria que este blog fosse lido como uma biografia ou como um caderno com meus pensamentos. Há muito de ficção na poesia e muito de personagem na voz do poeta. Nisso se encontra, para mim, a diversão de escrever, separar e encontrar o que vive de quem escreve. Carta e Verso, 10 anos. Que venham mais 10, se continuar me dando prazer.
I.R.