segunda-feira, 22 de maio de 2017

da antinomia e do antimônio

entre o antônio e o anônimo
há o antônimo,
oposição de ideias,
ser assincrônico...
entre o sim e o sinônimo
não há mulher, homem
ou homônimo,
mas o monótomo,
átomo sem hormônio,
ser sem nome,
senha e harmonia,
fome de caos,
forma de cães que mordem
além de ladrar

I.R.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

disfarce

não oculto nem revelo,
não me descabelo,
eu, inculto, entre ignorantes
conhecedores de tudo.
não sou um livro aberto
nem enciclopédia de consulta...
a paciência é pouca,
a paciência é muita...
na arte do ocultamento
não há encantamento,
mas me disfarço de igor
sempre que vou por aí.

I.R.

sábado, 13 de maio de 2017

arquitetando

o brilho que se vê em cada janela,
não revela o mistério,
não conhece critério,
só ilumina,
como o sol da meia-noite.
a palavra delineada,
escrita ou falada,
desvela os segredos,
desnuda os medos,
arma projetos arquitetônicos...
a arquitetura do sonho,
onde componho o sou

I.R.

terça-feira, 9 de maio de 2017

tempo de alquimia

Foto: Igor Ravasco

no tom do tango,
no som do samba,
não fui tanto nem fui bamba.
não batuquei,
não dancei,
não chorei com a cuíca
nem gemi com o bandoneón...
mas ouvi...
e senti...

e então gemi,
e aí chorei

I.R.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

sobre a conversa

a conversa é uma estrada
sem necessidade de chegada
quando nas bolsas
e nas bocas
não levamos armas
e se não ensino e aprendo,
se falo, não me calo ou não me rendo,
se não curto o caminho longo,
e me encurto
para dar espaço ao diálogo,
a conversa não é conversa,
é monólogo,
palavra jogada fora,
mundo afora...
garganta seca, perda de tempo
e bolha nos pés.

I.R.

domingo, 23 de abril de 2017

antes de ser oceano

Foto: Adriano Mello

sou gota de chuva
escorrendo no para-brisa,
virando filete de gotas de chuva...
sou fio de água
que corre sem mágoa rumo ao bueiro...
sou partes por inteiro,
faço artes, pinto o sete,
sou água pluvial que cai num rio...
e sorrio ao pensar meu destino,
(menino que crê no acaso
e no ocaso de cada amanhecer)
sou afluente,
caudal que deságua n'outro rio,
que continua fio d'água
a caminho do mar

I.R.

terça-feira, 18 de abril de 2017

contra a indiferença

o rio de dor é vermelho sangue,
que jorra de corpos inocentes...
matando gentes
na síria, na palestina, na nigéria,
na miséria do dia a dia
na frança ou no afeganistão...
na falta de justiça e na ausência de pão.
um iraquiano não é menos pessoa
do que um inglês,
nem um cristão melhor que um muçulmano...
um judeu, um budista, um coreano,
do sul ou do norte,
ninguém está entregue à própria sorte,
somos marionetes
nas mãos nos interesses de poucos,
fantoches nos dedos dos fabricantes
e dos traficantes de armas...
desarmados, inclusive, de amor

I.R.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

termostato

o frio que você sente
não é o clima que sinto.
a água que quente te acaricia,
me abraça como água fria...
termostato diferente,
liberdade de ação,
indivíduos na sensação
com desejo de compartir,
a ânsia sem ansiedade,
ação de liberdade,
no exercício de sentir.

I.R.

sábado, 8 de abril de 2017

desconectados

facebook, instagram,
whatsapp, snapchat...
todos com suas fotos,
suas... nossas histórias...
em momento real...
onde somos personagens
de nosso próprio reality,
e espectadores,
sem muita expectativa,
do bbb dos outros.
fora da tela, as pessoas que apreciamos,
as que amamos
e as que não conhecemos,
essas que chamamos de amigos,
sofrem, se alegram, são...
elas vivem e morrem
e às vezes demoramos anos pra saber

I.R.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

do deserto

Arte: Fernanda Silveira de Souza

é preciso ou eu preciso passar o deserto,
quarenta dias, quarenta anos,
o incerto de todos os planos,
a sorte da vida antes da morte...
destino traçado com o próprio punho,
na ponta do lápis, na crina do pincel.
talvez um cacto marque o caminho,
quem sabe um pacto vem de mansinho,
solto ao sol, descoberto ao léu...

I.R.