sábado, 2 de janeiro de 2016

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quarenta e um verões
não me fazem mais sábio
que oito outonos
ou menos sábio
que oitenta primaveras.
nem sempre sou sábio,
não sei se sou sábio
ou se alguma vez fui...
mas procuro estar desperto...
(nem que seja para gritar bingo)
sei que o que diz meu documento
nem sempre corresponde
à minha idade mental...

I.R.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

mosaico

Fotos: Simão Salomão

por estradas sinuosas,
por linhas retas
por mar, por terra...
pelo ar,
vago.
com pressa ou devagar,
ansioso,
contra a corrente
ou no marchar da multidão,
vou.
esperança que não morre,
todo dia é em si mesmo
o último e o primeiro,
como vivo esse dia?
o que faço no caminho?

I.R.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

amarelinha

Foto: Ronaldo Nacarati

talvez a gente não perceba
que chegar ao céu
não é importante...
talvez seja hora apenas
de saber brincar,
talvez nos levemos a sério demais
e nos atribuamos importâncias
e pedestais sem sentido...
talvez nos preocupemos demais
com o céu,
esquecendo que o importante
é o caminho, o pé no chão,
é aprender a pular
sem perder o equilíbrio,
é saber avançar
sem deixar a pedrinha cair.

I.R.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

memórias

Foto: Jacqueline Hoofendy

leio notícias velhas,
porque o tempo não passa rápido
nem passa devagar,
o tempo apenas passa,
e me aproprio dele
em cada presente que vivo.
e em cada experiência,
em cada café que não tomo,
em cada verso que não escrevo
ou em cada cigarro que não fumei
um segundo transcorre,
as coisas que não escolhi
ou as que escolhi não viver
também são parte de mim.

I.R.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

no parque

Foto: Jorge Alberto Soares

nem tanto ao mar
nem tanto à terra,
nem oito
nem oitenta,
caminho do meio.
e se é bom aprender
a pular as poças,
é necessário saber
que às vezes
vamos nos sujar.
equilíbrio,
jogo de cintura,
impulso.
é preciso saber balançar.

I.R.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Carta e Verso - 8 anos


este texto autorreferente
não é diferente de outros
que escrevi,
este rascunho
é um testemunho,
um diário
da vida em movimento.
com doses de realidade,
com toques de ficção,
onde mostro uma fração
do que estou sendo,
do que penso
e do que engano
no correr desses anos,
num armar e desarmar planos...
o jogo continua,
até quando não sei,
até quando quiser...
enquanto escrever for bom,
vou adiando a bola oito.

I.R.

sábado, 26 de dezembro de 2015

o que fingimos não ver


a falta de amor,
mais do que o ódio,
explicam o que é hoje
o trabalho servil.
o amor ao dinheiro,
a ganância,
a adoração ao lucro,
explicam, mas não justificam,
nos dias de hoje,
a escravidão.
isso não se chama carma,
mas falta de dignidade humana,
e não é da vontade de nenhum deus,
mas é nossa conivência,
que preferimos olhar para o lado,
que tapamos o sol com a peneira
e enchemos a boca
pra falar de 'amor'.

I.R.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Outro mito natalino

Era uma vez Papai Noel, nascido em algum lugar do Polo Norte, não se sabe exatamente se na Finlândia ou na Noruega, exemplo vivo de um milagre. Nasceu velho, como Benjamin Button, mas não ficou jovem à medida que o tempo passava. Jamais foi criança. Diz a lenda que quando nasceu se alimentou de leite de renas, o que lhe deu superpoderes.

Não se sabe exatamente quando nasceu, mas os seres humanos viram nele uma espécie de santo, de messias, de deus e começaram a lhe fazer pedidos por carta, sentados em seu colo e, mais recentemente, pelo whatsapp para serem realizados entre 24 e 25 de dezembro, dia em que se comemora sua existência.

Há quem peça por saúde, pela paz mundial e como seu dia está perto do último dia do ano, há quem aproveite e peça por uno novo ano melhor. Há quem peça bicicletas, bonecas, bolas e videogames. Os poderes do velho Noel são quase infinitos, mas arraigadamente capitalistas. Noel é uma espécie de deus do consumo, maquiado com uma coisa chamada espírito natalino, que vende uma fraternidade e um amor que, muitas vezes, dura até a necessidade do primeiro envelope de antiácido.

Há quem fale de um tal Jesus também, mas acho que a ideia de um cara que ganha presentes, em vez de dar presentes não vai funcionar muito bem. E só mesmo um ser divino para aguentar o calor tropical vestido de roupa de frio e coturno sem derreter.

Ho Ho Ho,

I.R.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

costura

Foto: Lassina Badolo

entre as coisas que falo
e os textos que escrevo,
estão as coisas que sinto
aberta ou veladamente...
está tudo o que vivo.

colcha de retalhos,
de um ser cheio de falhas,
que sabe que costurar
não é exatamente o seu forte

I.R.

domingo, 20 de dezembro de 2015

dos sentimentos

às vezes uso palavras
pra dizer que não tenho palavras,
mas não posso usar o sentimento
para dizer que não sinto,
pois tudo é sensação
ou sentimento
e ao que sentimos
não se necessitam palavras,
apenas sentidos.

I.R.