quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ao encontro

Foto: Ana Galano

uma pedra ao lado da outra
forma um mosaico,
constrói um calçadão.
enquanto o mar de areia da praia
é feito de grão a grão.
gota a gota nasce um oceano,
sob o céu que é,
sem precisar de um plano,
nem de um pano de fundo...
amar não deveria ser profundo,
é necessidade básica,
a base de onde podemos construir.

I.R.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

leitor

Foto: Miguel Côrte-Real Matias

quero ler os cometas,
declamar as estrelas
e interpretar os planetas.
desejo recitar os mistérios da natureza,
decorar os mapas e os planisférios,
desconstruir os mitos,
entender o infinito...
entender? infinito?
preciso aprender o beabá
e o alvoroço
de minhas próprias entranhas.

I.R.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

monumento

a humildade,
ao passo que a humanidade caminha,
deveria ser preocupação de todos.
enquanto passamos,
à medida que passeamos,
deveríamos nos reconhecer humanos
e abraçar essa não divindade que somos
em nome de cada um e para todos.
não se trata de passividade,
mas de luta.
muito menos de agressividade,
mas de respeito e justiça...
para todos, não só para mim.
também estarei disposto
a descer de meu próprio pedestal?

I.R.

domingo, 13 de dezembro de 2015

acontecer

Foto: Jacqueline Hoofendy

dedilho nossa verdade
como quem toca
uma melodia
nas cordas de aço...
componho um espaço,
meio dueto e meio solo
nessa sinfonia...
sou aranha de jardim
tecendo sobre teia usada,
sou aranha ausente,
tecendo num jardim
de um éden inventado,
pois não há paraíso possível,
só a música...
dedilhada nas cordas de aço,
nascida como um longo abraço,
café da manhã do amanhã de nós dois.

I.R.

sábado, 12 de dezembro de 2015

ele e eu



há um pouco de mim nele
e um muito dele em mim,
mas nem sou ele,
nem ele sou eu,
assim como já não sou eu
e nem ele é ele...
momentos congelados
de um passado diferente,
genética e vida,
presente reatualizado,
atualidade de um futuro
que só ganha sentido
e significado
ao se tornar (ou ao se saber)
presente.

I.R.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

paraquedas

Foto: Laura Mancini

talvez tudo seja risco
e o que chamamos
de traço fino do artista
não passe de rabisco
feito por mãos que pouco tremem.
talvez tudo seja risco
e os que temem
sair da zona de conforto
para viver o traço torto,
não percebam que reto
não é sinônimo de certo
e o incorreto
pode ser o paraquedas aberto
em nossa descida.
talvez tudo seja arisco
e o desejo de não seguir à risca
nenhum roteiro
entre uma piscada e outra.

I.R.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

resistência

Foto: André Lucas Almeida

a violência chega em forma de pé,
calçado, lustrado,
armado e investido de autoridade.
violência que ultraja o sonho,
e vandaliza a realidade.
violência paga,
autoridade de sicários,
que, sem argumentos,
mas de armas na mão,
lançam bombas de efeito moral,
reflexo imoral
do governo ou do poder
que representam.
a violência pisa, machuca,
conivente com quem a autoriza
e com aqueles que se calam...
porque muitos de nossos pés,
impolutos,
estão em cima desse pulso,
que insiste, valente,
estuda,
toma porrada,
e resiste...

I.R.

sábado, 5 de dezembro de 2015

mar

Foto: Antonio Carlos Silva

vou ao mar
como quem vai
à fonte da juventude.
me lanço ao mar
como quem
não confia no destino
e se vê um menino
que só quer ir pescar.
me dirijo ao mar,
como quem abraça a vida.
amar,
verbo transitivo,
por onde transitam meus sonhos,
minhas utopias...
amor,
e a paz que se aproxima
querendo pousar.

I.R.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

caleidoscópio

Foto: Hudson Modesto

ver a realidade por um tubo,
no fundo de um triângulo de espelhos,
num jogo de reflexos,
mas sem aceitar
que as miçangas coloridas
que vemos ou que nos dão
são a verdade.
mudamos de ideia,
trocamos de discurso
erigimos e destronamos
nossos deuses
com a velocidade do raio de zeus,
e um leve girar de pulso...
sentimos a pulsação
em seu máximo por minuto,
vida na veia,
a realidade caleidoscópica
pode durar uma fração de segundo.

I.R.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

jogo de linhas

Foto: Antonio Manuel Pinto Silva

há quem caminhe na vertical,
há quem prefira a horizontal,
mas nem todos os caminhos
levam a roma.
há quem não siga um padrão,
quem ande na diagonal
em ziguezague,
há quem divague,
e mesmo tentando a contramão,
nem todos os caminhos
chegam ao amor.

I.R.