quinta-feira, 8 de outubro de 2015

da teia

Foto: Luiz Alfredo Ardito
 
sou pequeno
diante da imensidão
do espaço infinito.
sou mesquinho,
diante da grandeza
que também carrego em mim...
enquanto teço meu emaranhado
cheio de ideias,
de vida e de sensações,
teço casa,
repouso e caça,
e só cabe a mim dotá-la de luz.

I.R.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

despontando


 Foto: Rubens Chaves

de mim ao outro
ou do outro a mim
sempre haverá uma ponte,
quando soubermos quebrar
a desgraça da solidão.
conheço pontes com barreiras,
obstáculos,
com postos de fronteira...
mas não gosto
de pontes com pedágios.
se é preciso pagar,
se a relação é de comércio,
não de carinho,
esse é um arremedo de ponte,
é uma afronta
e minha alma está pronta
pra desviar desse caminho.

I.R.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

a todo vapor

Foto: Sandra Baldo

sou água,
mais da metade água,
mas não lavo, não molho,
não limpo,
não sou santo,
orixá,
deus do olimpo...
tô na luta,
tô de olho,
e quando as paredes,
sólidas,
não quiserem me deixar sair,
virarei vapor
e zarparei
em busca da liberdade.

I.R.

sábado, 3 de outubro de 2015

filosofia materna

o que talvez não se entenda,
paciência,
é que há coisas
que quero melhorar,
aperfeiçoar,
achar um melhor caminho...
mudança sem reinício,
o que em si é um novo começo.
eu vivo, logo vivi, logo agrego.

I.R.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

del oficio

Foto: Patricia Blasón
 
lo que te pueda decir en español,
solo te podré decir en español,
porque las traducciones ayudan,
acercan,
pero algo siempre cambian,
aunque sea un bemol
o una milésima de segundo...
y aunque no me entiendas,
no te lo podré decir de otra manera.
o que eu disser em português,
só poderei dizer em português,
porque as traduções ajudam,
aproximam,
nem que seja um bemol
ou um milésimo de segundo...
e mesmo que você não me entenda,
não poderei dizer de outra maneira
y lo que no te pueda decir,
quedará solo conmigo,
en el idioma que sea...
o entre nosotros.

quem sabe?

I.R.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

apesar das janelas

Foto: Jacqueline Hoofendy
 
até onde a vista alcança
aquilo que não se compra,
nem a prazo nem à vista,
sem data de vencimento,
sem prazo de validade...
e quando a vista já não chega
nos restam as palavras
e o pensamento
nem à vista nem a prazo
sem prazo de vaidade,
com sede de conhecimento.
e onde a vista já não chega
e as palavras já não bastam,
sem prazo, sem ordem, sem data,
sem contas nem prestação,
existe a imaginação,
que resiste,
que insiste nessa brincadeira
de seguir seguindo.

I.R.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

lua de erê

Foto: Manuela Cavadas

ver a lua vermelha,
amarela, cinza ou azul,
é olhar apenas para a porta
que dá para o quintal,
esse quintal enorme
onde não vemos o muro,
não imaginamos a cerca,
mas podemos divisar a horta,
distinguir o pomar...
eclipse de um dia doce,
num universo sem fim,
como um brinquedo de erê.
salve cosme, salve damião,
salve lua,
salve jorge e seu dragão.

I.R.

domingo, 27 de setembro de 2015

na beira do mar

Foto: André Rocha
 
a humanidade somos um,
mas esse um que é cada indivíduo,
este que sou,
no meio da multidão
ou na beira do mar,
está só,
caminha só,
e e só ao aceitar essa solidão
que se pode ser um com os demais.
ninguém está a meu serviço
ou feito sob medida para mim.
talvez eu me deixe enganar
pelas espumas como neve
ou pelo dourado do mar...
talvez eu não consiga ver
que as pegadas na areia
são sempre individuais.

I.R.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

nada

nada a dizer,
nada a declarar,
nada para compartilhar.
crise poética.

I.R.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

freudiano

 Foto: José Eduardo F. Boaventura

sou tímido...
ou em todo caso,
levemente acanhado,
e por isso falo demais.
falo para cobrir o meu eu,
uso o ego para mascarar o ego
e cubro minha boca, para mostrar
o que falo, o que expresso ou desejo.
escrevo por meio de alguma entrelinha,
desenho estrelinhas e/ou mapas do tesouro,
não sou um artista, estou longe disso, eu já sei,
mas me divirto com o que faço ou com o que sou.

I.R.