quarta-feira, 14 de maio de 2014

circulando

Foto: Claudio Berlin

já que às vezes
em nosso caminho
damos voltas,
giramos e rodamos
como um pião.
como num carrossel,
achando tudo bonito,
damos voltas,
como um pião,
como num carrossel,
em nosso caminho,
já que às vezes
achando tudo bonito,
giramos e rodamos,
damos voltas
como num carrossel,
como um pião,
achando tudo bonito,
vendo a vida igual
uma e outra vez,
talvez seja a hora
de sentarmos,
ou de caminharmos
em outra direção.

I.R.

terça-feira, 13 de maio de 2014

três para quatro

porque os dias treze não são de azar,
porque o azar não existe,
e a sorte também não.
mas os dias treze,
são de alegria,
de comemoração,
celebração privada
só para você.

I.R.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

suingado

Foto: Odilon Araujo

me levanto do meu canto,
dou um pulo,
ameaço uma cambalhota,
mas saio correndo.
cem metros rasos,
trinta passos rasantes,
chego até você num instante
e estendo a mão pra te tocar.
talvez eu te assuste
se não reparar no meu riso
porque esse é meu aviso
de que não vou te machucar.
não tenha medo, ainda é cedo,
não retroceda.
o pique tá contigo,
agora venha me pegar.

I.R.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

enfrentados

Foto: Anna Tralala

é mais fácil
acreditar em boatos,
ignorar os fatos,
falar pelas costas,
do que sentir o cheiro do outro
e conversar cara a cara
discutir frente a frente,
se entender e se desentender
olho no olho.

I.R.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

cruz no ombro

Foto: Vicente Sampaio

não carrego
nem estou disposto a carregar
uma cruz,
independentemente do seu tamanho.

tenho tristezas,
sofro,
tenho rugas e rusgas,
choro,
talvez na mesma medida
em que tenho alegrias
e derramo lágrimas de felicidade.
mas eu não carrego uma cruz.

eu vivo.

e vivendo me deparo com obstáculos
e pradarias,
florestas e pampas,
desertos,
estradas asfaltadas, esburacadas,
alegorias...
por tantos caminhos
à beira de tantas pistas

eu vivo.
vivo e deixo as cruzes para os ombros
dos especialistas.

I.R.

terça-feira, 6 de maio de 2014

barril

Foto: Hélvio Romero

reminiscências da infância
como parte integral
de uma alegria compartilhada...
a graça e o massa
das entrelinhas da mensagem,
é de que neste mundo
não estamos todos no mesmo barco,
mas no mesmo barril.
todos apertados
dividindo a mesma torneira.
o segredo dessa felicidade
está no saber dividir.

I.R.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

baile de máscaras

Foto: Silvia Musselli

para quem se choca
com o nu artístico,
mas não se choca
com a exploração sexual,
para quem se escandaliza
com o amor entre pessoas do mesmo sexo,
mas esconde embaixo do tapete a pedofilia,
para quem se espanta com a sensualidade,
mas aceita a violência como normal.
para quem se envergonha
dos pobres que pedem,
mas que não se horroriza
com a pobreza que os leva a pedir
para quem tapa o sol com a peneira
e finge não ver o trabalho escravo,
ou o trabalho infantil,
para quem vive um mundo de fantasia,
construído de máscaras,
talvez seja hora de sair da bolha,
da caixa de cristal,
talvez seja hora de abir a porta do carro blindado
e ver o mundo sem os filtros do vidro fumê.

I.R.

domingo, 4 de maio de 2014

para o santiago

não há palavra, nem frase,
não há poema, nem carta,
não há nada que eu possa escrever
como mostra de afeto,
menos ainda como prova de amor.
e se não há poema,
abandono o verso, para te dizer, meu filho, que se te chamo meu é por força do hábito. você não é meu, não sou seu dono. em nossa relação, sou pai, você filho, e sou um amigo que deve marcar limites, mas sem impor minhas vontades arbitrárias. seja livre, jovem santiago, seja livre do consumismo, livre da violência, livre para amar e ser amado. seja livre para não ser escravo, e, sendo livre, ser feliz.

te amo.

Papai

sexta-feira, 2 de maio de 2014

à beira do caminho

Foto: Helo Von Gal

nem só de movimento vive o homem,
mas de todo descanso,
que não é descaso,
criado por deus.
e se seguir é preciso, parar também é.
à beira do caminho me deito,
à beira do caminho eu sou.
quem pode adivinhar meus sonhos ao sol?

I.R.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

jogatina

Foto: Renê Martim

não jogo dados com o diabo
nem xadrez com a morte.
não acredito na sorte,
e não aposto com deus,
porque não gosto de apostar.
eu observo minhas fichas,
faço contas, cálculos,
vejo as que estão postas,
calculo as que faltam
e se a que tenho na mão não encaixa,
compro outra ou passo a vez, espero.
nenhuma vitória é definitiva,
nenhuma derrota também não.

I.R.