domingo, 19 de janeiro de 2014

encontro

Foto: Iram Rubem Brandão

as formas de leves contornos
se tocam,
e se transformam.
se entregam,
mas não se conformam
em ser uma só.

I.R.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

bolas de bolhas

Foto: Sasha Ivanovic

as balas de bolhas de sabão
não machucam,
não ferem
e não matam.
as balas de bolhas de sabão
arrancam aplausos infantis,
criam universos paralelos,
coloridos...
mundos que devemos estourar
com a ponta dos dedos,
espalhando cores explosivas,
contagiando-nos de sorrisos,
e de aplausos pela paz.

I.R.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

três ponto cinco

depois dos quarenta
vem os quarenta e um,
quarenta e um e um dia,
três ponto cinco,
três anos, cinco meses, um dia,
e a vida que continua,
e o amor que continua a ser amado,
sem importar distâncias,
sem importar alturas, altitudes
ou pressões nos ouvidos.

I.R.

domingo, 12 de janeiro de 2014

na calçada

-para quê?
-por quê?

-de quê?
-em quê?

o quê?!

quem souber a resposta do diálogo,
por favor, não me diga.
descobrirei
quando uma valquíria chegar.

I.R.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

espelhado

Foto: Daniel Antunes

me desdobro
e recobro forças.
me esforço,
e descubro caminhos.
envelheço,
mas se ainda não me conheço,
pelo menos dou um passo a mais.

I.R.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

janelas para o mundo

Foto: Sérgio de Medeiros

as janelas fechadas
são janelas fechadas.
e por mais que o sol entre
por seus vidros,
elas não estão abertas para o mundo.
e se o vento não corre,
e se a poesia não discorre,
talvez seja preciso
arremessar essa pedra.

I.R.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

under

Foto: Nelson Cruz de Oliveira

os ventos rasantes
i
  n
     c
        l
          i
            n
              a
                m
gotas de chuva invisíveis
me escondo atrás do guarda-chuva
ou do guarda-vento
e protejo minha cabeça e meus pés,
esperando que a chuva não venha por trás.

I.R.

sábado, 4 de janeiro de 2014

sinal fechado

Foto: Ricardo Apparicio

um emaranhado de fios
como um carretel embolado
são como ideias truncadas
que não nos deixam avançar.
há sinais vermelhos em todas as direções,
e não se pode seguir,
virar ou retroceder.
talvez seja bom desligar a máquina
caminhar com os próprios pés
e desatar o primeiro nó.

I.R.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

39


não sou hoje
quem fui ontem,
nem serei amanhã
o que estou sendo agora.
os cabelos brancos,
o número de velas,
ter mais, menos,
nada disso importa.
a idade só indica
que nunca somos os mesmos,
assim como nunca é o mesmo
o rio que pensamos ver,
ou as ondas que quebram na beira do mar.

I.R.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

esperança

Foto: Simão Salomão

a esperança não nasce no concreto frio,
e se, às vezes, simula sair das chaminés
é porque temos poucos olhos para ver...
a esperança não é a última que morre,
tudo aquilo que morre
deixa de ser esperança.
a esperança nos sobreviverá,
a esperança em ser o que será,
como um pacto de aliança entre nós.

I.R.