terça-feira, 13 de dezembro de 2011

dezesseis

entre um mês e outro
passam-se trinta ou trinta e um dias,
em que podemos
nos existir,
nos des... e nos redescobrir
divergir e convergir,
sentir saudades,
falar coisas profundas
e amenidades,
viver a vida em cada único momento
e nos amarmos em todos eles.

I.R.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

apesar das semelhanças


apesar de compartilharmos dados genéticos
somos pessoas diferentes,
e você é tão único quanto eu.

nunca houve alguém como você,
assim como eu sou irrepetível,
e seus avôs, seus amigos,
ou essa pessoa que está lendo estes versos
e que provavelmente não seja parecido a mim
ou a você.

cada um é único
e irrepetível.
e por mais que aos poucos nos tornemos parecidos,
lembre-se de que você é único,
e que seu caminho,
assim como o meu, o dos seus amigos
ou o desse leitor anônimo, amigo meu ou não,
esse caminho é pessoal,

pessoal e intransferível.

e o caminho é ir lado a lado na caminhada.

I.R.

sábado, 10 de dezembro de 2011

invisibilidade

quanto entro no metrô
e me olham,
me medem
como se usassem um metro,
filho em braço,
e não me dão o lugar
para que sente,
sinto que os seres humanos,
se não são insensíveis,
não nos veem,
somos zero à esquerda,
pai e filho invisíveis.

I.R.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

em comunidade

o ser humano não é um animal solitário,
existimos em comunidade,
sobrevivemos em conjunto
e mesmo o mais isolado dos eremitas,
se não está nu,
dependeu de outro ser humano,
não só para nascer,
mas para pelo menos se vestir.

I.R.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

infância

um corpo que corre em direção a outro
que também corre,
cabeças que se batem,
é preto no branco,
cabeça que abre,
sangue vermelho que escorre,
lágrima de olho verde,
outrora azul, que cai,
dois pontos que suturam
e um esparadrapo branco como chapéu.

I.R.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

certidão

quero que fique assentado
e registrado em cartório
com firma reconhecida
que minha firme opinião
de permanecer sentado
não é um apego à preguiça
nem é de minha decisão,
mas um reflexo compulsório.

o referido é verdade
e dou fé.

I.R.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

capitalizando

vivemos num mundo capitalista
e por mais que tenhamos
ideologias contrárias,
somos capitalistas no meio desse mundo.
mas como somos capitalistas,
ou quão selvagem é nosso capitalismo?

vale tudo para se ter mais,
somos o que temos?
e só nos realizamos ao conjugar comprar,
pagar, vender, consumir
não o que necessitamos, mas principalmente o que não?

vendemos nossa mão de obra
e compramos sonhos.
compramos água e uma ilusão de liberdade,
compraremos oxigênio.

agimos como robôs, como feras,
ou o capital passa por nós e o usamos
sem perdermos nossa humanidade?

perguntas que não podem ser respondidas
com dinheiro.

I.R.

domingo, 4 de dezembro de 2011

legendagem

meus dedos não digitam
o que minha cabeça pensa,
mas traduzem o que outros disseram.
este poema, se é que é um poema,
não foi escrito por mim,
mas por algum autor anônimo
que precisa de uma legenda.

I.R.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Carta para um cristão

Buenos Aires, 03 de dezembro de 2011.

Prezado amigo cristão,

Ver no outro um ser, não uma coisa, é um exercício, uma prática, que nos leva à igualdade, à tolerância, à justiça social. Como ouvi certa vez, o primeiro passo nem precisa ser 'amar ao próximo como a si mesmo'. Esse é um nível mais avançado. É possível começar com algo mais simples como, 'não fazer ao próximo aquilo que não quero que me façam'.

Ultimamente, vejo que muitas pessoas religiosas se fecham na ideia de que é preciso falar mais de Deus ou exibir seu amor a Deus, como se esse Deus fosse o resolvedor de todos os problemas por meio de seus milagres, (e se esses milagres não aconteceram foi porque ou o homem não teve fé o suficiente, ou não rezou/orou/dobrou o joelho o suficiente), como se esse Deus participasse da vida do homem controlando-o sabe-se lá de que parte do céu, ou como se o ser humano precisasse garantir uma vaga na outra vida assumindo um amor explícito por Jesus.

Mas "Deus" não une, "Deus" divide.

Se não bastasse a diversidade de religiões e seus variados Deuses, dentro da religião majoritária do ocidente, o cristianismo, existem formas variadas de se crer nesse Deus cristão, diversas concepções sobre Jesus, e cada fiel querendo provar que a sua é a verdade que libertará.

O mundo já tem Deus (ou Deuses) demais, e nem por isso é menos violento e menos injusto. O mundo precisa de uma boa dose de humanidade. O ser humano precisa se relacionar com os seres humanos como seres humanos, não como coisas, objetos, meios para a própria satisfação. Isso não significa um mundo ateu. Isso significa que não importa se você acredita ou não em Deus, não importa em que Deus você acredita, mas significa que o diálogo entre os seres humanos foi retomado.

Eu, e apenas eu, sou responsável pelo diálogo com o outro, fazendo de mim um responsável pelo outro. Você, e apenas você, é responsável pelo diálogo com o outro, fazendo de você um responsável pelo outro.

E não importa que você acredite em Jesus como salvador e eu não. Não importa que você acredite em um paraíso numa vida eterna futura e eu queira um paraíso aqui e agora. Não importa que você me considere um utópico. Eu me relaciono com a sua humanidade, assim como você se relaciona com a minha. E juntos nos ocupamos um do outro. E não falo de amor. Falo do compromisso de não fazermos aos outros aquilo que não gostamos que façam conosco.

Um abraço,

I.R.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

alguns meses

às vezes eu penso que dezembro,
assim como os meses de
setembro, outubro e novembro,
precisam de um psicólogo
por terem algum problema de personalidade.

I.R.